8 de março: Dia de Luta das Mulheres

Ao redor do mundo ataques e retrocessos estão sendo aplicados contra nós. A crise do capitalismo tem tido uma única vítima: as condições de vida dos mais pobres. Contra as demissões, arrochos e perdas de direitos estão eclodindo lutas em todos os continentes. O cenário parece ser de colapso. Enquanto alguns querem manter seus privilégios e sua riqueza, outros se levantam contra as injustiças. Deste conflito, impossível de ser conciliado, precisamos construir nossas vitórias. O ano de 2017 deverá ser um marco: precisamos reconstruir a força da esquerda socialista para que seja possível reverter este cenário assustador.

Eles nos atacam e nós dizemos não!

Nos Estados Unidos entre os inúmeros ataques encabeçados pelo governo Trump está a retirada de verbas do programa Planned Parenthood – programa que promove educação sexual, planejamento familiar, e acesso ao aborto. Na Polônia, em outubro de 2016, tentaram aprovar um projeto de lei que proibia o aborto e que penalizava mulheres com até 5 anos de prisão caso fizessem este procedimento. Na Rússia, em fevereiro de 2017, foi aprovada uma lei que legaliza algumas práticas de violência doméstica que não causam lesões profundas; hematomas, arranhões e ferimentos superficiais na vítima não serão reconhecidos como crime, mas sim uma “falta administrativa” – o que só banaliza a violência contra mulher e reforça que mulheres são propriedades de seus maridos.

No Brasil o governo Temer lançou uma série de ataques e entre os mais alarmantes para as mulheres está o da reforma da previdência. Tal reforma será um desastre: irá aumentar a idade mínima de aposentadoria e dificultará o acesso à aposentadoria especial, além disso também ignora que a expectativa de vida para os trabalhadores do campo é muito menor do que os trabalhadores urbanos e querem desconsiderar isso igualando os requisitos para todas as categorias de trabalho. Esta reforma também ataca diretamente as mulheres, pois desconsidera a dupla jornada das trabalhadoras que, além do trabalho formal, ainda são as responsáveis pelo trabalho doméstico. Esta reforma propõe uma “igualdade” de critérios que não existe na realidade: é uma falsa ideia de igualdade em uma sociedade desigual.

Nós podemos vencer

Mesmo com todos esses ataques, os últimos tempos também tem sido marcados por grandes manifestações de mulheres. Na Polônia foi organizada uma greve de mulheres inspirada na que aconteceu nos anos 70 na Islândia e estima-se que 100.000 mulheres foram para as ruas vestidas de preto para barrar a criminalização do aborto. Tal manifestação foi vitoriosa e dia 06 de outubro o projeto de lei foi retirado.

Na argentina, após a morte de uma adolescente de 16 anos por traficantes, milhares foram às ruas de preto em um chamado por uma greve geral de mulheres contra o feminicídio. O mote da manifestação “Ni una a menos” (nenhuma a menos) se espalhou por outros países da América Latina que também fizeram manifestações repudiando a violência contra a mulher.

Nos Estados Unidos um dia após a posse de Trump houve a marcha de mulheres que foi a maior manifestação da história dos Estados Unidos. Outros 60 países também tiveram protestos de mulheres contra o Trump. Em meio a este cenário de luta, diversas ativistas norte-americanas, como Angela Davis e Nancy Fraser, fizeram uma convocação para uma greve geral no dia 8 de março.

Por um 8 de março que seja um marco na luta das mulheres

O significado do 8 de março está em constante disputa. A mídia tenta esconder seu histórico de luta aproximando-o a romantizações sobre o que é ser mulher. Distribuição de flores e cosméticos tentam ocultar a mobilização das operárias russas que em 8 de março de 1917 abriram caminho para o processo da Revolução Russa na luta contra as mazelas do capitalismo.

No ano do centenário da revolução russa o cenário para os trabalhadores e trabalhadoras é alarmante. Em meio a tantos ataques, desemprego, arrocho salarial, perda de direitos e avanço da repressão, cabe a nós tornar o 8 de março de 2017 um marco na retomada da luta das mulheres contra o capitalismo.

Contra os ataques e retrocessos: mulheres organizadas e em luta!

Fazemos um chamado a todas as mulheres lutadoras para que tomem as ruas na próxima quarta-feira e façam com que o 8 de março erga a luta contra a reforma da previdência e retome as mobilizações de nossas bandeiras históricas pela legalização do aborto e fim da violência contra a mulher.

Em São Paulo convocamos as companheiras para que se somem ao ato que será realizado às 16h no MASP em unidade com os professores estaduais: para este mesmo dia a APEOESP convocou uma assembleia com indicativo de greve. Em um momento de intensos cortes salariais, sucateamento, privatizações e demissões em massa é fundamental que as lutas se integrem cada vez mais. Composta em sua maioria por mulheres, a categoria dos professores deverá encarar um cenário muito difícil para a luta e precisará ser cercada de toda a solidariedade de classe. Infelizmente o ato de mulheres, convocado pela CUT e outras organizações, não se somará nesta mobilização. Referendemos o eixo decidido nas reuniões organizativas do 8 de março em São Paulo: as palavras de ordem expressas em “Aposentadoria fica, Temer sai! Paralisamos pela vida das mulheres” é o espírito que deve nos guiar nas lutas do próximo período, mas defendemos que o espírito também precisa ser de unidade e construção coletiva. Este 8 de março será só uma das batalhas que precisaremos estar presentes e fortes. Todas à luta!

Contra a reforma da previdência!
Pela legalização do aborto!
Nenhuma a menos, basta de violência contra as mulheres!
Se nossas vidas não importam que produzam sem nós!
Toda força para o Dia Internacional de Luta das Mulheres!

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