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Temer sai! Previdência fica!

O ano de 2017 iniciou sem trégua. As rebeliões nos presídios marcaram o primeiro mês e tiveram como consequência a queda do Secretário Nacional de Juventude, filiado ao PMDB. Poucos dias depois estourava a greve das polícias indicando mais um cenário de instabilidade no país. Logo em fevereiro, estatais como a Caixa Econômica Federal e os Correios fizeram novo plano de demissão voluntária e o país chegou a 13 milhões de desempregados.

Enquanto estados como RJ e MG decretam estado de calamidade pública, os bancos mantém seus lucros astronômicos, como o Itaú, que fechou o ano de 2016 com um lucro de 21,6 bilhões de reais, o 2º maior de sua história. Enquanto isso, famílias inteiras vivem de subempregos e sofrem para fazer o salário render frente à inflação. Os aumentos de tarifas e do preço dos alimentos pesa no bolso dos trabalhadores e sobra no bolso dos patrões. As reformas da previdência e trabalhista, aliadas à regulamentação da greve no serviço público e ao aumento da repressão, nos mostra mais uma vez como o Estado serve para garantir o lucro e a estabilidade da pequena parcela de multimilionários.

No Brasil e em outros países, trabalhadores, trabalhadoras e sua juventude se unem para barrar os ataques às suas condições de vida e trabalho. É por isso que iremos às ruas no dia 15 de março, para deixar claro que não aceitaremos a reforma da previdência e nenhum outro ataque. Não vamos pagar a conta da crise!

O governo na corda bamba!

Michel Temer foi colocado na cadeira da presidência da república para dar continuidade a uma tarefa que Dilma já não conseguia mais: fazer a reforma da previdência e das leis trabalhistas para garantir a manutenção do lucro dos empresários. Usando as ferramentas da repressão e da criminalização, o presidente peemedebista é um enviado dos ricos e patrões para assegurar uma falsa estabilidade frente ao aprofundamento da crise econômica internacional. Ele cumpre os interesses da burguesia e é mantido no poder por ela.

No entanto, aprovar a reforma da previdência – primeira grande tarefa no poder – não tem sido tão fácil quanto previsto. A insubordinação daqueles que não aceitam trabalhar até morrer parece estar crescendo. A panela de pressão está levantando fervura e pode explodir. Além de nós estarmos nos levantando contra os ajustes, o governo federal também sofre pressão entre seus colegas de classe: governadores de diversos estados do país pressionam Temer por maiores repasses de verba.

Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Alagoas são apenas alguns dos estados que já chegaram no limite e estão à beira do caos social. Com uma sequência de saídas de ministros, o presidente também lida com seu nome correndo na boca do povo quando se trata de corrupção e irregularidades na campanha eleitoral. O relógio dos ajustes corre contra Temer e ele anda na corda bamba.

A instabilidade política de Dilma, e agora a de Temer, não devem ser vistas pelos trabalhadores como ruim. O retorno à falsa normalidade não significa retomada do crescimento do país e o consequente aumento de empregos para nós: antes mesmo destes momentos já não havia emprego para todos! A mentira dos governantes esconde seus reais interesses: retomar sua estabilidade e força para poder aplicar os ajustes contra a classe trabalhadora.

Temer não deve ter nenhum momento de tranquilidade. Nenhum minuto de sono. Deve acordar e dormir pensando na iminente revolta popular que se arma no país. Não aceitaremos que cortem da nossa carne para manter os senhores da alta sociedade. Sua instabilidade será fruto de nossas mãos! E sabemos: se Temer não aplicar os ajustes, a burguesia colocará outro aliado para que siga com a mesma tarefa. Manter nossas defesas, avançar em nossa organização e bloquear aqueles que nos atacam!

Unificar e ampliar as lutas: os trabalhadores não vão pagar pela crise!

Lutar localmente contra os ataques que sofremos já não é suficiente. Barrar, em cada local de trabalho ou de moradia, o arrocho, as demissões, privatizações e sucateamento não tem conseguido dar as respostas frente à crise de caráter internacional. É a partir de nossos locais que conseguimos mobilizar e nos defender, mas temos uma tarefa urgente: vincular as lutas localizadas a um plano de ação comum e maior. Construir unidade para barrar as reformas é um importante passo contra a piora das nossas condições de vida.

Mobilizar trabalhadores de serviços, domésticas, terceirizados e todos aqueles que sofrem ainda mais com a fragmentação da classe trabalhadora, a desarticulação sindical e a pressão do desemprego iminente, é tarefa de todos que estão comprometidos com a luta. Devemos ampliar o alcance da mobilização, avançando pelos bairros, pelas fábricas, pelas escolas e por cada local em que pisem os pés daqueles que produzem e mantêm a sociedade funcionando.

Organizemos a solidariedade para que nenhum lutador e nenhuma lutadora fique desamparada frente à crise e à participação nas lutas. Criemos comitês de solidariedade para que o fantasma da miséria e da fome não seja um aliado da burguesia para recolocar os trabalhadores na engrenagem da exploração.

Generalizar nossas greves, fortalecer a solidariedade, avançar na consciência de classe e da necessidade de destruição total do capitalismo são tarefas para ontem. Agitar as bandeiras defensivas contra as reformas, recolocando no centro do debate a contradição que nunca será resolvida entre capital e trabalho. Não há solução completa para a crise se continuarmos sob o capitalismo. Lutar para comer hoje, mas para viver amanhã!

FORA TEMER!
NÃO À REFORMA DA PREVIDÊNCIA!
TOMAR AS RUAS DIA 15 DE MARÇO!

Mais protestos, bloqueios, greves e ocupações!

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O governo Temer quer piorar a saúde, a educação e outros serviços públicos. Quer retirar os direitos trabalhistas assegurados pela CLT (Convenção das Leis do Trabalho), dificultar e reduzir a aposentadoria. Sendo assim, esse governo está atacando os trabalhadores, a população pobre, que é quem mais precisa dos serviços públicos, e os jovens que precisam estudar para conseguir emprego. Para lutar contra isso, os trabalhadores estão fazendo protestos nas ruas, paralisações e greves nacionais e os estudantes estão fazendo ocupações (já são mais de 1200 ocupações em escolas e universidades).

Para congelar o orçamento para os serviços públicos nos próximos 20 anos, o governo quer impor o mais rápido possível a PEC 55 (antiga PEC 241). O objetivo disso é reduzir os gastos, o que com certeza irá piorar esses serviços. Por exemplo, o SUS será duramente prejudicado, dado que a demanda por mais atendimentos exige mais gastos e não menos.

A reforma trabalhista permitirá que as negociações entre sindicatos e patrões tenham mais importância que os direitos trabalhistas estabelecidos na CLT. Isso ameaça a garantia do direito de férias, 13° salário, horas extras, dentre outros. Permitir que o acordado tenha mais valor do que a lei é o fim da CLT, o resultado disso será a retirada de direitos de milhões de trabalhadores.

Outro ataque aos direitos trabalhistas é a ampliação sem limites da terceirização pela PLC 30/2015. Essa ampliação significa aumentar as contratações com salários mais baixos, condições precárias de trabalho e até mesmo sem direito algum.

Com a Reforma da Previdência, a idade mínima para aposentar será de 65 anos, tanto para homens quanto para mulheres, sejam trabalhadores da cidade ou rurais. Será necessário trabalhar mais para poder um dia se aposentar. Além disso, os valores das aposentadorias serão reduzidos, já que não serão mais reajustados de acordo com o valor do salário mínimo.

O governo Temer pretende atacar a saúde e a educação, os direitos trabalhistas e a aposentadoria para transferir mais dinheiro para o pagamento de juros da dívida pública. Ou seja, age contra nós para pagar os juros de uma dívida que beneficia os banqueiros, que são os que tem mais poder para mandar no Brasil. Para forçar o governo a recuar, precisamos ampliar nacionalmente as manifestações, o fechamento de rodovias, as paralisações, greves e ocupações.

Greve geral para barrar os ataques!
Fora Temer!

Como a crise econômica e os ataques do governo Temer afetam as mulheres

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Com a reforma trabalhista, a reforma da previdência, a reforma do Ensino Médio, o congelamento dos gastos públicos, entre outros ataques, já anunciados, o movimento feminista precisa se posicionar e denunciar como esses ataques tem consequências ainda piores para as mulheres. São ataques que já estavam começando a ser desenhados pelo Governo do PT, e que agora estão vindo com ainda mais força no Governo Temer.

A mulher no mercado de trabalho e a crise econômica

Mulheres frequentemente estão em postos de trabalhos mais precarizados. Não só sofrem com discriminação no trabalho, ganhando menos do que os homens pelo mesmo trabalho, mas os trabalhos que são vistos como femininos e tem em sua maioria mulheres são mais precarizados. Esses trabalhos em geral são uma extensão do trabalho doméstico e de cuidados que são esperados das mulheres no âmbito privado. São trabalhos como o de faxineiras, professoras, cabeleireiras, cozinheiras, assistente social, enfermeira… E são precarizados justamente por serem vistos como coisa de mulher e, portanto, menos importante. Como se tudo isso já não dificultasse a situação das mulheres no mercado de trabalho, também devemos ressaltar como os trabalhos domésticos e de cuidados (criar filhos, cuidar de parentes idosos ou doentes) que as mulheres fazem em casa sem ser remuneradas trazem ainda mais dificuldades para conseguirem trabalhos formais de período integral.

Tais trabalhos frequentemente não são registrados e, em períodos de crise, são os primeiros a serem cortados ou terem direitos trabalhistas atacados. Nesse sentido, quando o governo Dilma mudou as regras do seguro desemprego aumentando o tempo de trabalho registrado necessário para conseguir o auxilio (agora uma pessoa tem que ter trabalhado registrado 18 meses na primeira vez que pede seguro desemprego e 12 na segunda e demais vezes) ele prejudicou ainda mais os grupos que tem dificuldade em ter acesso e estabilidade em postos de trabalhos registrados como mulheres, jovens e negros.

Os ataques que estão sendo propostos de flexibilização dos direitos trabalhistas com a legalização dos acordos especiais e da terceirização de todas as atividades também tem consequências ainda piores para as mulheres. Legalizar os acordos especiais significaria que patrões poderiam negociar com sindicatos para flexibilizar leis trabalhistas e visto que muitos dos sindicatos são pelegos e não necessariamente seguem os interesses dos trabalhadores, na prática essa medida significaria perda de direitos. Entre os direitos que podem ser atacados nesses acordos está o dos intervalos concedidos para amamentação.

Já em relação à terceirização, atualmente só é legalizado a terceirização de serviços que não tenham relação direta com o ramo da empresa. Um banco, por exemplo, pode terceirizar o trabalho de limpeza e de segurança, mas não o de bancário. Isso faz com que a terceirização atualmente seja em grande número dos trabalhos femininos. Ao se terceirizar divide-se a categoria, dificulta a sindicalização e precariza o trabalho.

Congelamento de gastos públicos: a PEC 241

A PEC 241 pretende congelar os gastos públicos de saúde, educação, assistência social e previdência pelos próximos 20 anos. Com o estado ainda muito precário da saúde, educação e demais âmbitos públicos seria um verdadeiro absurdo impor esse teto. O Teto também congelará o salário mínimo, que já é abaixo do que as pessoas precisam para sobreviver na maioria das cidades ( http://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html ). Com enormes quantidades de mulheres em empregos que recebem até 1 salário mínimo, esta medida afeta diretamente no poder de compra das mulheres, que são também, muitas vezes, a única fonte de renda de suas famílias.

Também vale a pena dizer que congelar gastos de saúde também dificultará para as mulheres conseguir a implementação e a regulamentação desde demandas básicas que já estão previstas por lei – como o aborto em casos de estupro em hospitais públicos (que embora seja uma questão já legalizada, precisa de regulamentação e investimento para ser efetivada) – até questões mais complicadas como a implementação de uma política de saúde integral para as mulheres (que leve em conta a demanda das mulheres em todas as fases da vida e em relação a todo o seu corpo, não só uma política que diga respeito a sua capacidade reprodutora).

Reforma da previdência

A reforma da previdência que entre outras mudanças pretende igualar a idade em que homens e mulheres se aposentam representará um enorme ataque para as mulheres. Igualar as idades de aposentadoria é desconsiderar que mulheres tem maior dificuldade de acesso a trabalhos registrados e que mulheres trabalham em média mais horas que homens, por terem dupla ou até tripla jornada de trabalho. Mulheres são as maiores encarregadas pelo trabalho doméstico e enquanto não extinguirmos esta diferença pela raiz é preciso considerar esta diferença de mais de uma jornada no que diz respeito à aposentadoria. É importante lembrar que essa reforma não é de hoje e já estava sendo proposta pelo governo Dilma. Dilma no começo de 2016 anunciou que iria realizar a reforma da previdência e comunicou 7 pontos que a reforma iria tocar, sendo que um deles já era igualar as idades de aposentadoria de homens e mulheres. Isso é apenas um exemplo que evidencia como há certa continuidade entre os governos do PT e do PMDB e que termos uma mulher na presidência não significa necessariamente que a vida das mulheres não será atacada.

Reforma do Ensino Médio e as mudanças na educação que as mulheres de fato clamam

Com a Reforma do Ensino Médio em pauta, volta-se as discussões sobre que educação queremos. O atual sistema educacional tem vários problemas e os alunos do ensino médio não conseguem se envolver ou entender porque estão aprendendo toda aquela matéria, assim mudanças são necessárias, mas a reforma veio de cima para baixo e totalmente na contramão do que a esquerda e os movimentos sociais estavam pedindo.

As feministas, há muito tempo, pedem educação sexual de qualidade nas escolas: uma educação sexual que ensine mais do que apenas como colocar camisinha em um pênis (o que em muitas escolas nem isso é ensinado), mas uma educação sexual que venha junto de problematizações sobre a heterossexualidade compulsória e sobre a pressão que mulheres sofrem para transarem com homens. As feministas também reivindicam que temas do feminismo seja ensinado na escola, como o que é violência contra a mulher, o que é divisão sexual do trabalho, qual é historicamente o papel das mulheres na história… Também é pauta histórica do movimento feminista creches e Fundamental I em, no mínimo, período integral (um integral de fato, que as mães não tenham que pegar seus filhos às 16h) e com vagas suficientes para suprir a demanda.

No entanto nenhuma das reivindicações do movimento feminista será contemplada pela reforma do Temer, muito pelo contrário. A reforma representa um retrocesso para os alunos e para os professores. Para os alunos será imposto um ensino médio em período integral, o que provocará uma evasão ainda maior daqueles que precisão trabalhar e não irão aguentar a nova carga horário. Enquanto os professores terão suas carreiras ainda mais flexibilizadas, pois não será preciso possuir diploma de licenciatura ou ter um curso de graduação da área para dar aula (vale notar que hoje em dia a profissão dos professores já é bastante precarizada com a categoria O, que permite que pessoas sem uma graduação deem aula, mas abrir para pessoas com “notório saber” é uma forma a mais de precarização). Além disso, o que a reforma do ensino médio mostra é que o problema não é a falta de verba, mas as escolhas políticas, o dinheiro que está sendo usado para deixar o ensino médio em período integral, poderia estar sendo usado para aumentar o horário de funcionamento das creches.

Programa Criança Feliz

Após o pronunciamento da Marcela Temer anunciando seu programa “Criança Feliz”, várias críticas de feministas surgiram e com razão. Em seu pronunciamento Marcela falou que “cada brasileira, cada brasileiro desde a gestação importa para o desenvolvimento do Brasil”, reforçando a visão retrógrada de que a vida começa na concepção (visão essa que serve até hoje para justificar a criminalização do aborto). Ela também deixou claro que seu trabalho será voluntário, isso é um problema porque reforça a ideia que salvadores podem vir e resolver os problemas e que não precisa de investimentos públicos. A voluntariedade é ainda mais problemática quando levamos em consideração que é uma mulher falando, pois reforça a imagem de que mulheres fazem trabalho por amor e empatia. Inclusive durante o discurso inteiro dela ficou bastante aparente o tom materno: o foco nas crianças, o apelo emotivo, a voluntariedade do trabalho… Além disso, no pronunciamento, houve várias falas genéricas sobre ajudar crianças da primeira infância e mobilizar setores da sociedade e nada de concreto das pautas históricas feministas como a construção de mais creches.

Estatuto da família: direitos LGBT, heterossexualidade compulsória e condenação da mãe solteira

O Estatuto da família (Projeto de Lei 6583/13) define família “como o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher”, sendo assim um claro retrocesso para a comunidade LGBT por tirar todos os direitos que lhes haviam sido concedidos com a legalização da união estável entre pessoas do mesmo sexo. Além disso, reforça a ideia que devemos ser heterossexuais. A obrigatoriedade da heterossexualidade é uma ferramenta muito importante para a manutenção de um sistema de dominação e exploração dos homens sobre as mulheres (patriarcado), pois para conseguir explorar o trabalho doméstico das mulheres, explorar sexualmente o corpo das mulheres, explorar emocionalmente as mulheres, ajuda muito que elas esteja em relacionamentos com homens.

Ademais, o estatuto da família também reproduz a ideia de que famílias com apenas um pai (normalmente composta pela mãe, visto que o abandono paterno é muito mais comum) são incompletas e problemáticas. Mães solteiras já vivem com um estigma imenso, elas não só de tem que criar crianças sozinhas, mas ainda muitas vezes sofrem uma culpabilização por isso – como se o pai tivesse ido embora por culpa delas, ou então como se a gravidez tivesse sido culpa delas. Tudo que essas mulheres não precisam é de uma legislação que reforça a ideia que família precisa de dois pais para ser considerada uma família.

Barrar estes ataques: erguer a luta das mulheres

Para barrar todos esses ataques precisamos massificar cada vez mais as ações de resistência como atos, ocupações e greves. E para isso precisamos que as mulheres entrem cada vez mais nessas lutas. As lutas da esquerda, em especial as mais radicalizadas (como greves e ocupações) precisam deixar de ser encabeçadas majoritariamente por homens. É preciso retomar a agitação junto às mulheres para que as pautas feministas não sejam restritas a manifestações do calendário ou a curtos momentos. Colocar as mulheres fortemente organizadas na luta contra o capitalismo e o patriarcado é decisivo. Devemos erguer as bandeiras de defesa imediatas, como contra os ataques do governo Temer, pela legalização do aborto e ampliação de creches, expondo os limites deste alcance enquanto o capitalismo e patriarcado estiverem regendo nossas vidas.

Todas nas ruas, nas ocupações e nas greves contra os ataques do governo Temer!
Erguer a luta contra o capitalismo e o patriarcado!
Construir o anarquismo revolucionário rumo à sociedade socialista!
Mulheres à luta!

Unidade de ação para barrar os ataques do governo Temer!

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   Após o impeachment, os atos “Fora Temer” podem superar a defesa pela volta do PT à presidência, mas para que isso aconteça é necessário impulsionar nos atos a luta contra os ataques do governo Temer. Para desestabilizar esse governo a fim de dificultar e até impedir que execute os seus ataques, como a reforma trabalhista e da previdência, é estratégico desde agora intervir nesses atos e disputá-los. Intervir não no sentido de defender a volta de um governo petista, mas de intensificar a luta por nossas condições de trabalho, estudo, moradia, dentre outras condições de vida e iniciar a queda do atual governo com a força da classe trabalhadora. Para fazer isso, é necessário que a esquerda tenha unidade de ação, organize grandes mobilizações e caminhe rumo a uma forte greve geral que pare o Brasil. A Aliança Anarquista é contra a proposta de eleições diretas ou gerais como solução para a crise política, contra a defesa ao retorno do PT que as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e demais petistas estão fazendo, e discorda de algumas avaliações sobre a repressão policial. Apesar destas divergências e de nos opormos ao petismo, entendemos que é necessária a unidade de ação para impor derrotas ao atual governo. Assim sendo, convocamos a esquerda combativa para intervir desde já nos atos “Fora Temer”.

   O impeachment NÃO foi um golpe. Foi um processo ocorrido dentro das regras (legais ou não) do jogo da democracia burguesa. Por isso, não foi um ataque à essa democracia, mas uma demonstração explícita de como ela funciona. Sendo o julgamento justo ou não, tratou-se apenas de uma decisão política: a burguesia se uniu para, por meio dos seus representantes, retirar um governo e colocar outro com mais capacidade para promover seus interesses enquanto classe. Além disso, ter colocado na presidência alguém que não foi eleito por eleições diretas também não é um golpe: Temer era vice-presidente e a regra do jogo é que ele assuma, visto que Dilma foi obrigada a sair. A intervenção da esquerda combativa nos atos também é necessária para desmistificar o discurso de golpe, propagandeado com a finalidade de auxiliar uma possível volta de Lula em 2018 (ou antes, caso sejam antecipadas as eleições diretas).

   “Diretas já” ou eleições gerais não resolverão a crise política. Ambas situações teriam como resultado Lula ou um candidato da velha direita na presidência. No caso das eleições gerais, reivindicada por parte da esquerda, os eleitos pertenceriam em sua maioria aos partidos da ordem, como o PMDB, PT e PSDB. Portanto, somos contra reivindicar novas eleições. Em vez disto, propomos que a esquerda impulsione, se aproveitando dos atos que estão ocorrendo, um movimento de massas comandado pela classe trabalhadora, a fim de derrubar o governo atual. Somente por meio deste movimento poderemos ter, além da queda, um salto de qualidade em nossos métodos de organização e mobilização, possivelmente nos preparando para lutar contra o próximo governo.

   Os gestores do Estado Capitalista querem impor uma situação de estabilidade para poder governar, e para isso utilizam-se da repressão jurídica, como a lei anti-terrorismo, e militar. As manifestações que vem acontecendo nos últimos dias estão trazendo novamente à tona discussões muito importantes para a esquerda sobre o papel da polícia e a repressão contra manifestantes. Sobre isso é importante ressaltar que as ações violentas da polícia não servem para comprovar um estado de exceção, mas para lembrar que a tarefa central desta instituição é justamente usar de todos os recursos possíveis, como a violência física, para manter a exploração e a opressão. Portanto, não podemos ser inocentes e acreditar que a violência policial está condicionada a qualquer comportamento dos manifestantes. Assim, repudiamos qualquer apoio à polícia e demais forças repressivas, tal como a tentativa de delatar e expulsar manifestantes taxados de Black Bloc. Devemos resistir a repressão de maneira coesa e organizada, o que novamente só pode ser feito com unidade.

   Pela unidade de ação, a esquerda deve intervir desde já nos atos “Fora Temer” com o objetivo de impulsionar a defesa aos ataques que serão desferidos contra a classe trabalhadora. Precisamos barrar a reforma trabalhista e da previdência, os cortes na saúde e na educação, combater o desemprego, a privatização e a terceirização, entre outras degradações às nossas condições de vida. Para que isso seja possível, devemos começar imediatamente a organização de um movimento de massas comandado pela classe trabalhadora e rumo à greve geral.

Greve geral para barrar os ataques!
Fora Temer!

Para a crise da política institucional a saída é a luta nas ruas!

O espetáculo do impeachment acabou. O clima que paira no ar não podia ser diferente: o desfecho estava dado há tempos e era mais do que previsível. Como um filme que já se sabe o final, todos assistem sem entusiasmo. A resposta que muitos querem dar está travada na garganta e as mãos estão atadas por uma direção que mais uma vez coloca nas eleições o único caminho possível. Paralelo a esta sensação de incapacidade abre-se um caminho supostamente mais estável para o novo-velho governo desferir os ataques que já estava planejando. A apatia reinará, ou conseguiremos abrir nossos caminhos à esquerda?

A crise econômica iniciada em 2008 que está assolando o mundo não tinha como deixar o Brasil de fora. O Partido dos Trabalhadores vende a ilusão de que é possível um governo para todos, com as classes trabalhadoras se beneficiando de alguns programas sociais enquanto os bancos e patrões continuavam tendo altos lucros. No entanto, precisamos entender que, embora boa parte da base do PT seja de movimentos sociais/sindicais, o PT representava os interesses da burguesia. Foi esse partido que colocou Katia Abreu no Ministério da Agricultura (famosa defensora dos latifundiários), que colocou Joaquim Levy no Ministério da Fazenda (sinalizando uma política neoliberal para a economia), que nunca se propôs a legalizar o aborto, que vetou o kit anti-homofobia, que fez o programa “mãe cegonha” (que foca na saúde da mulher só no seu período de gravidez, indo na contramão da atenção à saúde integral da mulher reivindicada pelas feministas), que investiu na educação superior privada (com Prouni e Reuni), etc.

Embora nunca seja possível governar para todos, essa impossibilidade fica ainda mais evidente em um cenário de crise do capitalismo. Ao menor sinal de que medidas sociais representem perdas econômicas aos setores capitalistas, elas são rapidamente cortadas. É nessa conjuntura econômica que no final do ano passado programas sociais que eram tão defendidos pelo governo na área da saúde e educação sofrem cortes e a reforma da previdência avança a passos largos. Este cenário de crise evidencia ainda mais como os interesses dos trabalhadores são distintos daqueles dos patrões, ou seja, torna mais evidente a luta de classes no cotidiano. Os interesses dos capitalistas e dos trabalhadores são inconciliáveis e na disputa sobre quem sairá perdendo os trabalhadores tem levado duros golpes, mas não sem resistência. As consequências da crise econômica acirram os ânimos e os trabalhadores e a sua juventude tomam as ruas, ocupam fábricas e escolas, fazem greves e buscam recuperar, na marra, aquilo que lhes pertence. Para conter as revoltas, governos usam e abusam da repressão e no Brasil isto foi nítido nos protestos de junho de 2013 e na aprovação da Lei anti-terrorismo. A militarização das favelas, das escolas e a repressão nos locais de trabalho são as marcas de um governo que não hesita em governar para os ricos.

Embora hajam diferenças entre aqueles que estão fazendo o impeachment e o governo do PT, há também muita continuidade, visto que ambos defendem projetos da burguesia. É importante lembrar que até pouco tempo atrás vários que estão agora chamando o impeachment estavam na base do governo Dilma, e que o PT vai sair com o PMDB e outros partidos supostamente adversários em várias eleições de prefeituras. A verdade é que o PT cavou seu próprio túmulo com seu projeto de consciliação de classes. Aliou-se a Temer, Cunha e Katia Abreu, fez política para a burguesia e agora tenta se colocar como adversário dos setores reacionários.

O PT está, portanto, ultrapassado. Ultrapassado para os trabalhadores que já não o enxergam como governando para eles e ultrapassado para uma burguesia que agora pode colocar um governo sem mediações. A figura de Michel Temer na presidência busca recuperar uma estabilidade que o governo Dilma já não conseguia impor. E mesmo frente ao processo de impeachment, as direções do PT nem mesmo buscam mobilizar a população. Em frangalhos, o partido da estrela vermelha já não consegue mobilizar amplas massas para as ruas em sua defesa, pois seu governo é indefensável. A saída encontrada foi a caracterização do impeachment como um golpe, para que assim possam dar o tom das eleições de 2018. Na prática, o mesmo plano de governo seria aplicado. No discurso, poderiam ressurgir como alternativa, caracterizando os retrocessos sofridos como sendo frutos do governo do PMDB.

Não são poucos os trabalhadores que perderam as ilusões no PT e em qualquer projeto político de conciliação de classes, mas também não são poucos os trabalhadores que não reconhecem o governo Temer e que sabem que duros ataques ainda estão por vir. A vontade de lutar não falta. A vontade de defender nossas vidas, nossos empregos e salários está latente, pois é necessária. Frente a isso é preciso ficarmos atentos. Milhares de pessoas não sairão às ruas para defender o governo petista, tampouco enxergam melhora nas mãos de Temer. A ânsia pela autodefesa precisa encontrar vazão e organização em um programa de lutas à esquerda e revolucionário, antes que sucumba a projetos políticos de extrema direita, o que é especialmente perigoso em momentos de crise.

Os ataques que estamos recebendo e que se intensificarão estão vindo de forma difusa. Não se expressam apenas no arrocho salarial localizado, onde cada categoria de trabalhadores precisava, e muitas vezes conseguia, dar respostas com uma mobilização local. Os ataques à nossa classe estão vindo, por exemplo, por meio de reformas trabalhistas, o que nos exige uma mobilização ampla, agregando inclusive os setores que não conseguem se sindicalizar.

Há um desafio imenso a nossa frente e a esquerda combativa precisa conseguir se desvencilhar completamente do projeto político de conciliação de classes, romper com os resquícios burocráticos e se colocar com força na militância de base, articulando-se em todas as frentes que forem possíveis para unir esforços em ações unitárias. A construção de uma greve geral é importante, mas para conseguir chegar até ela e para que não se encerre em si mesma, há muito o que fazer.

A defesa real de nossas condições de vida e trabalho é urgente. A saída para esta crise não está em um novo gestor do Estado Capitalista, mas no retorno da perspectiva revolucionária. A crença no projeto de conciliação de classes já custou muito caro para a vida da classe trabalhadora e precisa ser retirada do horizonte. A saída não está nas eleições da democracia burguesa e nem em nenhum novo partido que esteja rascunhando a mesma trajetória do PT. A saída está na independência de classe, na defesa intransigente de nossas condições de vida e trabalho, em nossas mobilizações pela base e na certeza da necessidade da revolução socialista. Temer não terá sossego, assim como nenhum outro governo teve! Nossa luta segue avançando!

Não mais patrões e não mais ilusões!
Não aos ataques dos governos!

FORA TEMER!

* Análise de conjuntura frente a mudança no governo federal

 I. Governo Temer é continuidade do governo Dilma

Em tão poucos dias à frente do governo federal Temer já mostrou a que veio: continuar a política anti-trabalho perpetuados por sua antecessora. Longe de significar uma ruptura, o processo de impeachment de Dilma, que levou o pmdebista ao poder, é marcado profundamente pela continuidade – em especial no âmbito dos ataques à classe trabalhadora e seus direitos.

Temer pretende seguir a risca os passos de Dilma, mantendo a política de cortes na Saúde, na Educação e em programas sociais (FIES, Minha Casa Minha Vida, entre outros), privatização das estatais que sobraram, arrocho salarial e congelamento de contratações de servidores além de retrocessos em direitos trabalhistas historicamente conquistados, com destaque ao ataque à previdência – uma das principais metas do antigo governo Dilma, a qual Temer já assumiu como sua. Tão somente em um único dia – no último de seu decadente governo – Dilma aprovou: o fim da Bolsa Permanência nas universidades públicas para alunos de baixa renda, um aumento de 237,5% na prestação do Minha Casa Minha Vida para a faixa que engloba as pessoas mais pobres no programa, oficialização da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que irá acarretar em extermínio de ecossistemas e população indígenas e a Lei Geral das Olimpíadas. Já o governo Temer, logo nos primeiros dias de seu governo, anunciou, através de seus ministros, que pretende continuar a política de precarização do SUS, das Universidades Federais, entre outros ataques.

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O que eles querem?

* Texto de conjuntura publicado originalmente no nosso material de 1 ano

A crise política que começou pequena no início de 2015 se desenvolveu, se aprofundou e agora parece entrar em seus últimos capítulos. Com a votação do impeachment da presidenta Dilma na câmara dos deputados o governo se sustenta por menos do que um fio de cabelo. Sem o apoio do parlamento e dos patrões, os petista veem o seu governo ruir ao seu redor e por isso se voltam a nós, trabalhadores, como último recurso.

As denúncias dos dois lados são das mais diversas. Os petistas alardeiam um golpe. A oposição parlamentar se diz numa cruzada contra a corrupção. Diante dos discursos bonitos e da enxurrada de notícias que inundam os canais de comunicação, é fácil se perder e achar que só se pode estar de um dos dois lados. A nós, trabalhadores, é dito que ou se está contra o “golpe”, ou se está “contra” a corrupção. Mas isso não é verdade.

Afinal, fala-se em golpe, mas a realidade é que o governo petista contribuiu para levar o país para o buraco e que ninguém hoje está feliz! Esse governo foi eleito dizendo que o futuro seria de desemprego e inflação alta se Dilma não ganhasse. E hoje vemos que o quadro é de desemprego e inflação descontrolada! Falou que os trabalhadores seriam atacados se a oposição fosse eleita. E atacou os trabalhadores assim que foi eleita.

Por outro lado, fala-se em lutar contra a corrupção, mas como isso é possível quando o impeachment é encabeçado por pessoas como Eduardo Cunha, Aécio Neves e tantos outros? Os que dizem querer combater a corrupção são corruptos também. E não só. Basta assistir a declaração dos votos a favor do impeachment para ver quem são os justiceiros: latifundiários, industriais, banqueiros, machistas, racistas, homofóbicos e alguns inclusive, a favor da ditadura militar. Ou seja, todos inimigos dos trabalhadores.

A verdade é que ambos os lados querem mesmo é mostrar que são os melhores para nos atacar. Que é o grupo com maior capacidade de proteger o lucro do patrão e sacrificar os trabalhadores. A eles não interessa a nossa situação. Não interessa que acordamos e dormimos com o medo do desemprego. Não interessa que contamos os centavos para cobrir as nossas necessidades. Interessa o contrário, interessa provar que conseguem passar o ajuste fiscal o mais bruto possível, ao mesmo tempo em que reprime os trabalhadores da maneira mais eficaz. Não à toa ambos os lados defendem o ajuste fiscal e medidas de austeridade para sacrificar os trabalhadores.

Diante disso, escolher entre um desses lados é impossível. E é impossível porque nenhum deles de fato quer defender os trabalhadores. Mas continuar a despejar a crise econômica – que não será solucionada pelo impeachment ou não de Dilma – sobre nós.

Devemos traçar um plano de lutas que ultrapasse a polarização colocada atualmente e recoloque o enfrentamento de classes no centro da discussão. Devemos ir além do impedimento ou não do governo petista, armando a resistência no cerne da questão hoje: a crise econômica. Porque enquanto PT, PMDB e PSDB se digladiam por fatias maior no Estado, o que nos resta são os ataques que não param de chegar.

Lei antiterrorismo, retomada da discussão de ampliação da terceirização, reforma da previdência e ataque ao salário mínimo, são alguns dos ataques que ou passaram ou pretendem ser passados no próximo período, como complemento às demissões e arrochos salariais.

Optar por se centrar na questão do impeachment enquanto medidas como essas são passadas, não é somente um erro, mas também uma irresponsabilidade. É se perder em meio às notícias e buscar atalhos que nada farão, a não ser fortalecer quem nos ataca. Hoje, a prioridade deve ser erguer a resistência contra esses ataques, tirando da frente dos trabalhadores a distração da disputa pela presidência, e recolocando o foco naquilo que nos importa: a defesa das nossas condições de vida!

NEM COM O PETISMO, NEM COM A OPOSIÇÃO PARLAMENTAR!
CONTRA O ATAQUE DOS GOVERNOS E DOS PATRÕES!

O que eles querem

Panfleto de 1 ano da Aliança Anarquista

Material de 1 ano de Aliança.pdf

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Os projetos capitalistas diante à crise econômica e política

* Continuação de nossa análise de conjuntura

* I. O véu da crise política *

As movimentações políticas tornaram-se nessas últimas semanas o assunto mais comentado pelas mídias de massa e também nas conversas da maioria da população, afinal em momentos de crise surge a necessidade de apontar uma saída para ela. Em toda essa efervescência política aparecem diversas posições mas predominantemente há uma opinião em comum: a de que vivemos um momento muito complexo.

É justamente essa uma das funções da política no capitalismo; a de levar as determinações da realidade para uma esfera que se aparta da vida material devido a sua complexidade. O campo da politica se pinta como difícil pois seu papel é tomar para si a aparência de algo que ele não é. Porém se notarmos onde e como a realidade é verdadeiramente determinada podemos com facilidade compreender os processos políticos e notar que na maior parte das vezes não passa de um circo para desviar a atenção das massas do que realmente importa.

Outra função importante da política, mais especificamente dos políticos, é a de gerenciar o Estado capitalista para garantir melhores condições para a acumulação e reprodução de capital, afinal os políticos e partidos da ordem estão claramente alinhados com os grandes capitalistas. Exemplos recentes disso são amplamente encontrados na política brasileira. O PPE, efetivamente é a redução de salário o que implica numa maior extração de valor do trabalho desempenhado pelo operário. A tentativa da PL 4330, a terceirização das atividades-fim tem o mesmo objetivo – a de redução de salário – mas, além disso, é um ataque direto a organização sindical por categorias, o que reduz a capacidade de resistência dos trabalhadores. A lei antiterror, pois é essencial que em momentos de crise a classe trabalhadora não avance seu projeto político e se a conciliação não consegue mais frear as lutas, cabe a repressão tanto física quanto jurídica garantir isso. Além destes, poderíamos elencar diversos outros ataques já aprovados nas duas casas congressuais e assinados por Dilma, assim como, muitos que ainda estão em debate.

Tendo em mente essas duas funções que são desempenhadas pelo Estado – a de se assumir como o que ele não é e a de garantir os lucros do grande capital – podemos ver qual o campo que verdadeiramente determina a realidade política, e portanto qual o real caráter da crise que vivemos e o caminho que devemos tomar enquanto revolucionários para avançar nossas pautas. O campo principal da realidade, no limite determinante, é o da produção. A política capitalista se pauta por ela. Os burgueses também. E não há motivo para nós trabalhadores não nos pautarmos igualmente por ela. Pois além de ser por excelência o campo mais importante é lá que, enquanto classe, temos a nossa verdadeira força.

Ao encarar a realidade desse modo e reconhecer a crise política como um reflexo da crise econômica internacional, que agora se transpôs para a periferia do capitalismo a fim de garantir a recuperação dos países centrais, podemos notar dois projetos da classe dominante para a superação desta crise.PT-PMDB 3jpg

* II. O projeto petista de conciliação *

“O novo modelo não poderá ser produto de decisões unilaterais do governo, tal como ocorre hoje, nem será implementado por decreto, de modo voluntarista. Será fruto de uma ampla negociação nacional, que deve conduzir a uma autêntica aliança pelo país, a um novo contrato social, capaz de assegurar o crescimento com estabilidade.” Continuar lendo

Contra os ataques dos capitalistas e seus governos!

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* apontamentos sobre a conjuntura e estratégia

Nas últimas semanas a disputa ao redor da cadeira executiva do governo federal tomou novas proporções. Impulsionada por uma sucessão frenética de acontecimentos, ganhou capas de jornais, virou manchetes de noticiários e centro de debates não somente entre militantes, mas da população em geral. As pessoas passaram a se sentir impelidas a se informar, discutir e fazer algo sobre os últimos eventos. Mas diante dessa ânsia, dois equívocos principais têm sido recorrentes – tanto das pessoas que se interessaram por política recentemente, quanto dos militantes e partidos de esquerda – dificultando um posicionamento mais preciso e efetivo da classe trabalhadora. Não à toa esta não tem conseguido responder de maneira independente não só a essa questão pontual, mas a muitos outros ataques que lhe tem sido desferidos.

A vontade de resistir e agir são evidentes: o número de greves aumenta a cada ano e paralisações nacionais contra os ataques foram realizadas dentro das suas possibilidades, ao passo que nos últimos tempos fábricas são ocupadas. No entanto, também é nítida a ausência de uma resposta de conjunto dos trabalhadores enquanto classe. Ao seguir focados na disputa em jogo pela presidência, grande parte das pessoas e mesmo da oposição à esquerda ao petismo, não tem conseguido sair do campo da falsa polarização criada pelos dois lados da mesma moeda: o petismo e a oposição capitalista de direita. Com isso, perdem-se cada vez mais no turbilhão de acontecimentos e caem assim no primeiro equívoco frente à atual conjuntura: tomar o lado de um dos setores que disputam a gestão do Estado capitalista em detrimento do fortalecimento da organização independente da classe trabalhadora.

| Petismo e a oposição de direita são opções? |

A cada dia cresce o número de partidos de esquerda que, perdidos entre o petismo e a oposição de direita, acabam por escolher entre uma das “opções”, ao mesmo tempo em que se esforçam para dar roupagem “revolucionária” às bandeiras evidentemente capitalistas hasteadas de ambos os lados.

Os que optaram por orbitar ao redor do petismo apresentam dois argumentos para embasar a sua posição: primeiro afirmam que há em curso um golpe contra a democracia do empresariado; segundo ressaltam que a luta é contra esse golpe e que a aliança (ou apoio velado) com o petismo é pontual, feita inclusive com duras críticas à sua política tanto à frente do governo, como nos movimentos sindicais, estudantis e populares. Já os que pregam por uma aliança pontual com o outro lado da burguesia – a oposição de direita à Dilma – dizem que assim o Estado burguês será desestabilizado, ao mesmo tempo em que será barrada a possibilidade do ascenso de um governo populista/protofascista/bonapartista centrado em Lula. Continuar lendo