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Unificar as lutas, defender a nossa classe!

*Análise de conjuntura e perspectivas

Nos últimos meses, a classe trabalhadora tem sido alvo de muitos ataques por parte da patronal e dos mais diversos governos – arrocho salarial, demissões, corte e flexibilização de direitos. Mesmo que importantes lutas tenham sido travadas, é necessário reconhecer que nossa classe tem sido, em geral, derrotada. Situação expressa tanto nos muitos acordos trabalhistas que sequer conquistaram reajustes salariais acima da inflação, quanto nos milhares de trabalhadores demitidos, assim como na execução de políticas que cortam e flexibilizam direitos historicamente conquistados. Mesmo com fortes greves em diversos setores estatais – universidades, escolas, INSS, judiciário, entre outros – estas categorias acabaram por aceitar acordos trabalhistas rebaixados. Mesmo com as importantes lutas nas fábricas, dezenas de milhares de operários foram demitidos enquanto outros dezenas de milhares tiveram seus salários reduzidos. Mesmo com as paralisações e mobilizações nacionais e unificadas, não fomos capazes de barrar as MPs 664 e 665.

Não há duvidas de que os ataques as condições de vida dos trabalhadores se intensificarão. Acenado o acordo dos diversos partidos da ordem para por fim às disputas internas entre PT, PMDB e PSDB – personificadas especialmente na peleia de Dilma e Cunha – o que se coloca como pauta do dia no Congresso, Senado e Palácio é a aprovação de leis como a da terceirização (PL4330 / PC30) e a de antiterrorismo, mas também, o avanço nos cortes orçamentários e nas privatizações. Estabilizada a partilha de cargos políticos e consensualizado o programa comum (a Agenda Brasil), é possível, mesmo provável, que muitas destas medidas de austeridade e repressão sejam encaminhadas já neste fim de ano ou no começo do ano que está por vir. Temos a frente um horizonte difícil e turbulento para a classe trabalhadora, onde o rebaixamento do padrão de vida nos será imposto ainda que seja necessário o uso intenso de forças e medidas repressivas para tal.

Diante deste quadro, o único caminho que possivelmente poderá levar a nossa classe a vitórias, que poderá evitar a piora nas nossas condições de vida e trabalho, é o caminho da unificação, massificação e radicalização das lutas em defesa da manutenção de nosso atual padrão de vida. Somente rompendo com o corporativismo – que fragmenta nossa classe em categorias – com o peleguismo governista – que nos impõe acordos rebaixados afim de evitar o conflito direto e acirrado com nossos inimigos da patronal e dos governos – e com o sectarismo e burocratismo – que por interesses secundários nos impede de marcharmos ombro a ombro – que poderemos triunfar, avançar na organização de nossa classe e na consolidação do poder dos trabalhadores. Urge superarmos as direções governistas e conciliatórias. Urge unificarmos as lutas, as datas bases, as greves, as manifestações. Urge retomarmos métodos de luta radicalizados. Urge fortalecermos o classismo, a combatividade e a independência de nossas organizações e entidades. Lutas isoladas e restritas facilmente serão derrotadas – seja pelo cansaço ou seja pela repressão.

Outra necessidade que se impõe neste momento da luta de classes é a de avançar na aliança entre os jovens estudantes e à classe trabalhadora em geral. A importância desta aliança, além de por muitas vezes já ter sido verificada historicamente, se mostrou em importantes lutas recentes – como por exemplo na greve de professores do Paraná, e nas de Universidades federais e estaduais, e também, na ainda em curso, luta contra o fechamento de escolas de São Paulo. O sangue jovem e sua energia são importantes fatores para massificação e radicalização da luta de classes.

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Aliança Anarquista,
28.10.2015

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Abaixo o pacotão do governo federal!

*Posição sobre conjuntura

Frente ao cenário de crise econômica, o PT rapidamente se posicionou a favor do empresariado e atacou os trabalhadores de todas as maneiras que podia: com redução de salários (PPE), dificultando ainda mais o acesso ao seguro-desemprego com as MP’s 664 e 665 e ampliando a terceirização com a PL4330, o que precariza ainda mais os postos de trabalho. Somamos a essas medidas os cortes bilionários nos orçamentos públicos para diversos setores administrados pelo governo. O motivo dos cortes, dizem, é a necessidade de enxugar os gastos do Estado, mas o que vemos é uma crise jogada sempre nas costas dos trabalhadores e da juventude, como por exemplo na Educação, com a piora das condições de trabalho e estudo nas escolas e universidades públicas, bem como a redução de suas políticas de acesso e permanência para a juventude trabalhadora. Além de apontar para um processo de privatização que vem se delineando também para outros serviços geridos pelo governo.

O resultado de tais medidas é evidente: onerando a classe trabalhadora como um todo, o governo federal garantiu lucros recorde para bancos como Bradesco e Itaú no primeiro semestre de 2015.

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Todo apoio à paralisação nacional dos servidores federais!

Diante da perspectiva de adiamento do reajuste salarial, congelamento de contratações, fim do abono permanência e outros ataques aos direitos e condições de trabalho historicamente conquistados, o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais – composto por 23 entidades – deliberou por uma paralisação nacional no dia 23.09.2015. No mesmo dia será realizado também um ato em Brasilia em unidade comoutros movimentos e ações descentralizadas nos estados.

Nós trabalhadores não pagaremos pela crise dos capitalistas e seus governantes!
Unificar e radicalizar as lutas para derrotar os cortes, o ajuste e todos os ataques à nossa classe!

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Unificar as lutas para vencer a batalha!

*panfleto para o ato de hoje e a plenária de amanhã

O ato nacional do dia 18 e o Encontro de trabalhadoras e trabalhadores do dia 19 de setembro são dois importantes passos para a luta de toda nossa classe. Até agora tivemos algumas vitórias com as greves ao longo do ano, mas os ataques tem sido tantos e tão generalizados que devemos reconhecer que estas vitórias foram apenas parciais. É preciso unificarmos as lutas e radicalizarmos nossos métodos rumo à construção de novas paralisações para barrarmos de fato os ataques que o governo do PT tem feito aos trabalhadores! Não podemos mais perder tempo: quem ocupa a cadeira de gestor do Estado jamais defenderá os interesses da classe trabalhadora! Devemos organizar nossas defesas desde as bases e de forma unificada impor uma derrota àqueles que nos exploram! Por isso nós da Aliança Anarquista estamos compondo estes espaços e saudamos todos os lutadores e lutadoras que estão nesta construção!

| Construir um movimento combativo e independente! |

É tarefa fundamental conseguirmos romper com a fragmentação de nossa classe, superando as greves por categorias e por fábricas para erguer um movimento que abarque largos setores de trabalhadores e consiga derrotar os ataques que se armam contra nós! Uma unidade necessária para que – de norte a sul – seja possível a construção de ações diretas a nível nacional, como as paralisações e a greve geral, tão importantes para o nosso fortalecimento!

Também é essencial que a organização do conjunto da classe trabalhadora seja combativa, independente e não se torne um polo eleitoreiro. Para isso é preciso barrar tanto os ataques vindos dos governos – como a Agenda Brasil e as Medidas Provisórias do governo petista – quanto os ataques gerais por parte dos capitalistas como o arrocho e as demissões. Não podemos fomentar ilusões na troca de gestores, pois não é a mudança do nome de quem ocupa as cadeiras do Estado que fará com que ele defenda os interesses de nossa classe. Construir um campo classista, combativo e antigovernista e que não tarde em tomar uma posição firme pela derrubada de todos aqueles que ousam atacar as condições de vida dos trabalhadores, pois qualquer hesitação neste sentido só beneficia os próprios governos e os capitalistas.

Se a classe trabalhadora tudo produz, a ela tudo pertence! Avante companheiros!

Organizar a revolta, defender a classe e desestabilizar a democracia dos capitalistas!
Construir em unidade a luta contra as investidas do Estado e da patronal!

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Mulheres trabalhadoras contra Dilma, Cunha, Temer e Aécio

| Derrotar o ajuste e lutar por creche, emprego e combate a violência |

Nós, mulheres trabalhadoras, vamos às ruas no dia 18 de setembro contra o governo de Dilma/PT e contra a velha oposição de direita. No mandato da primeira mulher presidente nós estamos sendo massacradas pela inflação e a carestia de vida. O desemprego é um risco que se tornou realidade para muitos trabalhadores, e com maior peso para nós mulheres, que representamos, no primeiro trimestre de 2015, 9,6%, dos desempregados. Além disso, diversos direitos trabalhistas estão sendo atacados como o acesso ao PIS, seguro desemprego, licença saúde e o projeto de terceirização que ameaça a própria CLT.

Dilma retirou o status de ministério da secretaria de políticas para as mulheres e investiu míseros 26 centavos para cada vítima de violência, nos últimos 10 anos, enquanto o Brasil segue ocupando a sétima posição no ranking de países que mais matam mulheres e amarga o índice de cerca de 50 mil casos de estupros ao ano. Já cortou cerca de R$11 Bilhões da educação, refletindo R$ 3,5 Bilhões das creches. Milhares de mulheres e crianças seguiram sem acesso a uma vaga. Esse corte também acaba com as já poucas políticas de permanência das mulheres jovens nas universidades, sem contar os cortes nas bolsas do Fies.

O governo Dilma já escolheu as mulheres que quer ao seu lado. Tem no ministério da agricultura Kátia Abreu, verdadeira representante dos latifundiários e do agronegócio, no momento em que a população indígena e quilombola vêm sendo assassinada e expulsa de suas terras, como é o caso da tribo Guarani-Kaiowá, no MS. Cortou R$ 17,23 Bilhões do orçamento do ministério das cidades, o que comprometeu a 3ª etapa do programa “Minha casa, minha vida” cujo título saia no nome das mulheres. E , por outro lado, se cala diante das violentas reintegrações de posse que ocorrem em todo o país, que colocam as mulheres e seus filhos no meio da rua, sem qualquer amparo. Por tudo isso, não nos representa.

Todavia, a direita tradicional, que tenta se apresentar como alternativa, também não nos serve. Cunha, Renan, Temer (PMDB) e Aécio(PSDB) são autores de projetos que atacam o povo pobre e os setores oprimidos, além de serem velhos conhecidos de processos de corrupção e desvio de verbas públicas. Políticas como a redução da maioridade penal que reduz o futuro dos nossos filhos, oficializa o extermínio da juventude negra e descrimina ainda mais o sofrimento da mulher negra e pobre. Assim como a retirada das questões de gênero dos currículos nas escolas, o que impõe um cotidiano de preconceito e violência entre os estudantes são medidas defendidas pela oposição burguesa que atacam os direitos democráticos de mulheres, negros e negras e LGBTs.

Dilma, ao fazer acordos com os setores conservadores do congresso, deixa centenas de mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais expostas e vulneráveis, o que faz com que o Brasil seja o país com maior índice de assassinatos de lgbt’s. Somente em 2013 foram 121 casos. Também expõe as mulheres lésbicas ao risco da pratica de estupros corretivos, originados como repulsa a orientação sexual.

| Pela organização independente dos Trabalhadores e trabalhadoras |

O nosso lugar é junto ao movimento geral dos trabalhadores, incorporando as demandas das mulheres por creche, equiparação salarial e salário igual para trabalho igual, combate a violência, legalização do aborto, etc. como parte das reivindicações gerais da classe trabalhadora. Engana-se quem acredita ser Dilma o mal menor, os trabalhadores com sua força podem derrotar o governo e suas medidas, sendo que nós mulheres temos um papel importante nesse processo.

mulheres

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18.setembro: Tomar as ruas contra os ataques à classe trabalhadora!

Neste ano de 2015, diversos ataques às condições de vida dos trabalhadores veem sendo colocados em prática. Demissões, arrocho salarial, perda de direitos tornaram-se ameaças e realidades cotidianas. Como resultado tivemos, por um lado, a manutenção das taxas de lucro dos grandes capitalistas – com destaque aos resultadoshistóricos alcançados por bancos como Itau e o Bradesco – e por outro, crescimento da quantidade de desempregados, achatamento da massa salarial além de restrições ao Seguro Desemprego e outros direitos.

Além dos ataques centrados na questão do trabalho, o recrudescimento da crise capitalista também é acompanhado pela intensificação da repressão tanto contra os trabalhadores organizados que resistem ao rebaixamento de suas condições de vida, quanto contra os setores mais pobres e marginalizados da sociedade brasileira. A Lei Antiterror assim como a PL 6268/09 – que torna crime manifestações de rua – são iniciativas políticas que caminham na direção de um regime cada vez mais repressor com seus contestadores. Já as constatantes chacinas, os novos recordes de assassinatos cometidos por policiais, e o crescimento da população carcerária, são demostrativos da guerra que o Brasil tem promovido contra a população pobre que aqui habita. É este o Estado-nação campeão mundial em homicídios cometidos por forças policiais.

| Unificar as lutas para vencer a guerra! |

Frente a destruição do padrão de vida – ou mesmo da própria vida – trabalhadores têm se levantado nas mais diversas trincheiras da luta de classes. Greves estouram contra demissões massivas e contra arrochos salariais. Prédios estatais são ocupados contra cortes de direitos. Barricadas são erguidas e ruas são tomadas contra as execuções nas periferias. Todas estas batalhas são de suma importância para a classe trabalhadora. Todas estas batalhas demonstram que sempre haverá resistência, que a luta de classes não chegou ao seu fim. Também é na própria luta que os trabalhadores fortalecem suas organizações, se compreendem enquanto classe, e percebem o poder que possuem.

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Entretanto, ainda que tenhamos algumas vitórias parciais, faz-se necessário reconhecer que, por enquanto, nós trabalhadores estamos perdendo esta luta – não temos conseguido evitar os mais diversos ataques, apenas atenuá-los.

A fim de alterarmos a atual correlação de força entre nós trabalhadores e nossos inimigos de classe – grandes capitalistas e os mais diversos gestores do Estado-nação Brasil – compreendemos que é urgente avançarmos na unificação das lutas, assim como na radicalização dos métodos. Somente superando a fragmentação de nossa classe em categorias, unificando os diversos focos de resistência e avançando na direção de construirmos ações nacionais unitárias – especialmente paralisações e a greve geral – que conseguiremos derrotar esta onda de ataques.

Por isto, convocamos todas e todos a participarem tanto o ato nacional do dia 18, que se realizará em São Paulo e tem como eixo principal a luta contra diversos gestores do Estado capitalista, suas políticas de austeridade e em defesa da construção de um campo independente da classe trabalhadora, quanto do Encontro Nacional de lutadores do dia 19 – que deverá ter como tarefa organizar os próximos passos rumo às paralisações nacionais, à greve geral e à uma mobilização que não queira apenas trocar o nome de quem ocupa a cadeira da democracia capitalista, mas que seja uma mobilização concreta com viés revolucionário! E para que esta tarefa seja cumprida, é fundamental a participação – no ato e na plenária – de todos os setores combativos da classe trabalhadora.

Organizar a revolta, defender a classe e desestabilizar a democracia dos capitalistas!
Construir em unidade a luta contra as investidas do Estado e da patronal!
Todos à manifestação do dia 18 de setembro!

(Manifestação: 17h no Vão do MASP, em São Paulo, concentração a partir das 15h.
Encontro Nacional de lutadores: 10h às 18h noSindicato dos Metroviários de São Paulo – Rua Serra do Japi 31, Tatuapé)

Todos ao ato do dia 18.setembro!

Organizar a revolta, defender a classe e desestabilizar a democracia dos capitalistas!
Construir em unidade a luta contra as investidas do Estado e da patronal!
Todos às manifestações do dia 18 de setembro!

marcha nacional

Construir a alternativa da classe trabalhadora!

*Nossa posição frente a atual conjuntura política*

|“Onda conservadora” ou polarização política?|

O PT, seus militantes e simpatizantes compreendem, de maneira equivocada, que vivemos hoje no Brasil uma avanço conservador. Frente a esta análise, este partido, de maneira oportunista, cria uma luta defensiva do governo contra um “avanço da direita”. Deixemos clara nossa avaliação: o que ocorre no Brasil não é solitariamente um avanço conservador, mas um acirramento da luta de classes e uma consequente e incipiente polarização. Polarização que se expressa tanto no fortalecimento e na reorganização de setores conservadores e de direita, particularmente da extrema-direita – que agora convoca manifestações, colocando-se publicamente, quanto, simultaneamente, se evidencia uma mobilização cada vez maior e mais radicalizada da classe trabalhadora, acompanhada de uma tendência à ruptura com as tradicionais direções conciliatórias e patronais, em muitos casos ligadas ao governo.

A crise da CUT – marcada tanto por rompimentos como o do CPERS quanto pelo fortalecimento de oposições em categorias essenciais da CUT – e a divisão na Força Sindical frente, por exemplo, o projeto de lei da terceirização e a vexaminoza defesa de Eduardo Cunha, evidenciam esta tendência. Esta conjuntura de acirramento e polarização também impõem e resulta na reorganização de projetos políticos de esquerda com horizontes revolucionários ou ainda de projetos reacionários. Anarquismo, comunismo, fascismo, socialismo, golpe, revolução, são palavras que voltam a aparecer no cotidiano.

|Romper com o governismo e avançar na luta|

Compreendida esta polarização e dado um momento de ruptura completa com o PT – como colocamos no texto de conjuntura anterior; abre-se a questão: como a esquerda deve proceder? Defender um governo cujo descrédito é constantemente reafirmado através de seus ataques? Um governo, que é rejeitado massivamente pela ampla maioria da população e que terá – independente de seu regente – a “Agenda Brasil” como programa político? Devemos ceder à política de conciliação de classes que sustenta o sistema capitalista de exploração? Não.

Invertemos ainda a lógica governista: irresponsável é manter-se ao lado de um governo que promove os mais diversos ataques à nossa classe, e que legitimamente agora é alvo de sua revolta. É irresponsável defender um partido com um projeto falido, que deixou explícita sua traição e perdeu qualquer legitimidade e confiança. Esta irresponsabilidade abre caminhos à possibilidade deste processo ser dirigido pela direita e abre espaço para que o discurso da insatisfação seja domínio da extrema-direita. Sair à defesa do PT é pular no barco que está afundando. E que deve afundar.

Este é o momento para o fortalecimento da esquerda revolucionária. Tal fortalecimento está absolutamente correlacionado à ruptura com o PT. É da crise dessa direção, em um momento no qual a classe rompe com um projeto abraçado ao longo dos últimos trinta anos, que vem o surgimento de um vácuo que buscaremos preencher com nosso programa revolucionário. Para cada sindicato, DCE ou centro acadêmico que romper com sua direção governista, será fundamental que haja a presença de esquerda coerente e revolucionária para assumir essa direção.

É irresponsável também a postura que o governismo assume na luta contra a direita (com a qual o PT já completamente se integrou) e contra a extrema-direita. É necessário que a esquerda se diferencie em todos os aspectos do PT e do petismo. Que se desvencilhe da conciliação, do pacto com a burguesia e o capital e que não permita que a direção da insatisfação popular caia nas mãos da extrema-direita. No próximo período, se a polarização se provar como algo crescente, teremos que disputar a organização dos trabalhadores com essa mesma extrema-direita.

Portanto, se buscamos lutar pelos interesses de nossa classe, romper com o PT neste momento não é “irresponsável”, mas indispensável. Se pretendemos nos defender, devemos nos colocar do lado certo do acirramento da luta de classes. Não ao lado do setor que aplica tais políticas e compactua com esta direita, mas na trincheira dos trabalhadores. Assim poderemos barrar os avanços da burguesia e do Estado, através da organização dos trabalhadores e impulsionando a luta, a partir de cada local de trabalho e estudo. Historicamente é a classe organizada quem promove suas próprias conquistas. Devemos ter confiança na classe e no seu poder, não em um punhado de burocratas e estatistas.

| “Fora Dilma”, “Fica Dilma” e o acordão por governabilidade e democracia |

Sobre o ato do dia 16 pelo “Fora Dilma” dois aspectos merecem destaque.

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A renúncia de Tsipras e o novo fracasso da esquerda eleitoreira

“Um parlamento burguês nunca poderá fazer mais que legislar sobre a escravidão do povo” – Mikhail Bakunin

Nesta quinta-feira, 20 de agosto, Alexis Tsipras renunciou ao cargo de primeiro ministro grego e novas eleições foram convocadas para fins de setembro. As promessas de enfrentamento à dívida pública e de resistência às medidas de austeridade da Troika se mostraram mentirosas, bravatas. O governo do Syriza manteve e avançou nos cortes contra os trabalhadores gregos em favor dos banqueiros europeus – da mesma maneira que seus antecessores fizeram.

Isso só mostra como programas reformistas, como o do Syriza, não se sustentam em conjunturas de acirramento da luta de classe. Os trabalhadores não devem se apoiar em políticas eleitoreiras e conciliatórias, como a de Tsipras e seu partido, mas na independência de classe e na luta contra o Estado e seus capitalistas – independente de quem ocupa seus cargos – para resistir aos “ajustes”.

Não às medidas de austeridade da Troika!
Não à conciliação de classes e as farsas eleitorais!
Pela luta independente da classe trabalhadora!

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Basta de ataques aos trabalhadores! Derrubar o governo do PT!

*Posicionamento da Aliança Anarquista sobre a conjuntura de crise política

“Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto e eu estou no volume morto”, são palavras não de algum adversário político do governo, mas sim de Lula, companheiro de partido da presidenta e principal liderança da legenda. Dilma, por sua vez, afim de tentar salvar o mínimo de aprovação que ainda possui, abandonou à própria sorte José Dirceu, fundamental articulador político petista, colocando a prisão deste como uma questão de partido, não de governo. O irreversível definhar do projeto do Partido dos Trabalhadores – após doze anos gerenciando a máquina governamental capitalista – coloca-se como fato tanto na aversão de 84% da população do grande ABC, berço do partido e importante pólo industrial, quanto na fala de Tarso Genro, militante petista histórico e ex-governador do Rio Grande do Sul: “Esse PT que está aí chegou nitidamente ao fim de um ciclo”.

Entretanto, mesmo nesse cenário de evidente fragilidade do governo federal e seu partido, o PSDB, agrupamento que se coloca como principal oposição, tem seguido uma política hesitante. Hesitam em levar a frente o processo de impeachment de Dilma, hesitam em acompanhar o coro do “Fora Dilma” e as manifestações pela sua queda – sendo estas dirigidas e articulados por setores recém organizados da velha direita. Esta política vacilante, em cima do muro, por parte dos tucanos deve ser compreendida primeiramente pelos receios dos grandes empresários, latifundiários e banqueiros em apoiar a retirada de um governo que tem tido êxito em garantir as elevadas taxas de lucro, em detrimento dos padrões de vida dos trabalhadores, mesmo no contexto de progressivo acirramento da crise econômica. Mas, há um segundo fator, de ordem política, que não pode ser desconsiderado: a oposição parlamentar e institucional tem consciência que a crise do projeto petista expressa, também, uma crise mais profunda e generalizada na política democrática capitalista. Afinal, os mesmos casos de corrupção e as mesmas políticas antipopulares, envolvem o conjunto dos partidos da ordem.

Tanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso demonstra ter conhecimento desta perda de legitimidade das instituições democráticas do capitalismo brasileiro, ao escrever que “ tornou-se óbvio que há um acúmulo de crises: de crescimento, de desemprego, de funcionamento institucional, moral, condução política “, quanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin ao falar que “o impeachment é um trauma para o país”, completando, “precisamos zelar pela democracia”. Como membros de partidos comprometidos com a ordem democrática e o regime capitalista, eles sabem que a manutenção da legitimidade do aparato governamental frente ao conjunto dos trabalhadores é prioritária às disputas partidárias por cargos. Para aqueles que detém a propriedade do modo de produção capitalista, o mais importante é manter a estabilidade política e a governabilidade, afim dos gestores do Estado poderem garantir com mais facilidade a normalidade das relações de produção – impedindo, abafando, reprimindo legal e ilegalmente greves, atos de rua e outras manifestações políticas de trabalhadores – e a agenda política de medidas e ataques – as privatizações diversas, as medidas provisórias e projetos de leis que pioram as condições de trabalho (MP 664 e 665, PL 4330, PPE), o corte de verbas nos serviços públicos e o arrocho salarial de trabalhadores ligados a serviços ou empresas estatais. Posição expressa, por exemplo, na recente nota assinada pela FIESP e FIRJAN (Federação das Indústrias de São Paulo e Rio de Janeiro) “O momento é de responsabilidade, diálogo e ação para preservar a estabilidade institucional do Brasil”.

Compreendido o caráter de classe do Estado brasileiro, e constatando que passamos por um período de acirramento de um processo de crise econômica, o papel do governo vem sendo, e será, o de jogar as consequências da piora na economia nos trabalhadores, afim de garantir a manutenção das taxas de lucros. Neste contexto, o melhor para os trabalhadores é fragilizar ao máximo os governos e suas instituições, afim de dificultar a implementação das políticas de ataques as condições de trabalho. Quanto mais fragilizado estiver o governo, o congresso e o senado, mais dificuldades este terá em implementar leis como a PL 4330 da terceirização ou as bloco de medidas contra nossa classe contidas na Agenda Brasil – proposta por Renan Calheiros, e abraçada por Dilma Roussef. A instabilidade e a paralisia nas instituições políticas capitalistas, neste momento, podem favorecer a luta independente dos trabalhadores.

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| Organizar a revolta, defender a classe e desestabilizar a democracia capitalista! |

Nesta conjuntura de definhamento do projeto petista, insatisfação generalizada com o governo federal e profunda desconfiança frente as instituições democráticas do capitalismo e seus gestores, é bastante perigoso travar políticas vacilantes – como grande parte da esquerda tem feito. A revolta contra o governo petista e suas medidas é legitima. O PT, à frente do governo federal, tem sido responsável por grande parte das políticas que atacam as condições de vida dos trabalhadores brasileiros. Neste momento de polarização da sociedade brasileira, levar a cabo uma política hesitante e não disputar a direção da insatisfação popular é deixar o campo livre para o fortalecimento da extrema-direita. É tarefa de todos de nossa classe se unirem e lutarem intransigentemente contra estes ataques, e contra este governo. A nossa tarefa é derrubar tanto as demissões, arrochos salariais, quanto as políticas governamentais de ataque aos trabalhadores, assim como os gestores responsáveis por estas. Continuar lendo