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Unidade de ação para barrar os ataques do governo Temer!

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   Após o impeachment, os atos “Fora Temer” podem superar a defesa pela volta do PT à presidência, mas para que isso aconteça é necessário impulsionar nos atos a luta contra os ataques do governo Temer. Para desestabilizar esse governo a fim de dificultar e até impedir que execute os seus ataques, como a reforma trabalhista e da previdência, é estratégico desde agora intervir nesses atos e disputá-los. Intervir não no sentido de defender a volta de um governo petista, mas de intensificar a luta por nossas condições de trabalho, estudo, moradia, dentre outras condições de vida e iniciar a queda do atual governo com a força da classe trabalhadora. Para fazer isso, é necessário que a esquerda tenha unidade de ação, organize grandes mobilizações e caminhe rumo a uma forte greve geral que pare o Brasil. A Aliança Anarquista é contra a proposta de eleições diretas ou gerais como solução para a crise política, contra a defesa ao retorno do PT que as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e demais petistas estão fazendo, e discorda de algumas avaliações sobre a repressão policial. Apesar destas divergências e de nos opormos ao petismo, entendemos que é necessária a unidade de ação para impor derrotas ao atual governo. Assim sendo, convocamos a esquerda combativa para intervir desde já nos atos “Fora Temer”.

   O impeachment NÃO foi um golpe. Foi um processo ocorrido dentro das regras (legais ou não) do jogo da democracia burguesa. Por isso, não foi um ataque à essa democracia, mas uma demonstração explícita de como ela funciona. Sendo o julgamento justo ou não, tratou-se apenas de uma decisão política: a burguesia se uniu para, por meio dos seus representantes, retirar um governo e colocar outro com mais capacidade para promover seus interesses enquanto classe. Além disso, ter colocado na presidência alguém que não foi eleito por eleições diretas também não é um golpe: Temer era vice-presidente e a regra do jogo é que ele assuma, visto que Dilma foi obrigada a sair. A intervenção da esquerda combativa nos atos também é necessária para desmistificar o discurso de golpe, propagandeado com a finalidade de auxiliar uma possível volta de Lula em 2018 (ou antes, caso sejam antecipadas as eleições diretas).

   “Diretas já” ou eleições gerais não resolverão a crise política. Ambas situações teriam como resultado Lula ou um candidato da velha direita na presidência. No caso das eleições gerais, reivindicada por parte da esquerda, os eleitos pertenceriam em sua maioria aos partidos da ordem, como o PMDB, PT e PSDB. Portanto, somos contra reivindicar novas eleições. Em vez disto, propomos que a esquerda impulsione, se aproveitando dos atos que estão ocorrendo, um movimento de massas comandado pela classe trabalhadora, a fim de derrubar o governo atual. Somente por meio deste movimento poderemos ter, além da queda, um salto de qualidade em nossos métodos de organização e mobilização, possivelmente nos preparando para lutar contra o próximo governo.

   Os gestores do Estado Capitalista querem impor uma situação de estabilidade para poder governar, e para isso utilizam-se da repressão jurídica, como a lei anti-terrorismo, e militar. As manifestações que vem acontecendo nos últimos dias estão trazendo novamente à tona discussões muito importantes para a esquerda sobre o papel da polícia e a repressão contra manifestantes. Sobre isso é importante ressaltar que as ações violentas da polícia não servem para comprovar um estado de exceção, mas para lembrar que a tarefa central desta instituição é justamente usar de todos os recursos possíveis, como a violência física, para manter a exploração e a opressão. Portanto, não podemos ser inocentes e acreditar que a violência policial está condicionada a qualquer comportamento dos manifestantes. Assim, repudiamos qualquer apoio à polícia e demais forças repressivas, tal como a tentativa de delatar e expulsar manifestantes taxados de Black Bloc. Devemos resistir a repressão de maneira coesa e organizada, o que novamente só pode ser feito com unidade.

   Pela unidade de ação, a esquerda deve intervir desde já nos atos “Fora Temer” com o objetivo de impulsionar a defesa aos ataques que serão desferidos contra a classe trabalhadora. Precisamos barrar a reforma trabalhista e da previdência, os cortes na saúde e na educação, combater o desemprego, a privatização e a terceirização, entre outras degradações às nossas condições de vida. Para que isso seja possível, devemos começar imediatamente a organização de um movimento de massas comandado pela classe trabalhadora e rumo à greve geral.

Greve geral para barrar os ataques!
Fora Temer!

Para a crise da política institucional a saída é a luta nas ruas!

O espetáculo do impeachment acabou. O clima que paira no ar não podia ser diferente: o desfecho estava dado há tempos e era mais do que previsível. Como um filme que já se sabe o final, todos assistem sem entusiasmo. A resposta que muitos querem dar está travada na garganta e as mãos estão atadas por uma direção que mais uma vez coloca nas eleições o único caminho possível. Paralelo a esta sensação de incapacidade abre-se um caminho supostamente mais estável para o novo-velho governo desferir os ataques que já estava planejando. A apatia reinará, ou conseguiremos abrir nossos caminhos à esquerda?

A crise econômica iniciada em 2008 que está assolando o mundo não tinha como deixar o Brasil de fora. O Partido dos Trabalhadores vende a ilusão de que é possível um governo para todos, com as classes trabalhadoras se beneficiando de alguns programas sociais enquanto os bancos e patrões continuavam tendo altos lucros. No entanto, precisamos entender que, embora boa parte da base do PT seja de movimentos sociais/sindicais, o PT representava os interesses da burguesia. Foi esse partido que colocou Katia Abreu no Ministério da Agricultura (famosa defensora dos latifundiários), que colocou Joaquim Levy no Ministério da Fazenda (sinalizando uma política neoliberal para a economia), que nunca se propôs a legalizar o aborto, que vetou o kit anti-homofobia, que fez o programa “mãe cegonha” (que foca na saúde da mulher só no seu período de gravidez, indo na contramão da atenção à saúde integral da mulher reivindicada pelas feministas), que investiu na educação superior privada (com Prouni e Reuni), etc.

Embora nunca seja possível governar para todos, essa impossibilidade fica ainda mais evidente em um cenário de crise do capitalismo. Ao menor sinal de que medidas sociais representem perdas econômicas aos setores capitalistas, elas são rapidamente cortadas. É nessa conjuntura econômica que no final do ano passado programas sociais que eram tão defendidos pelo governo na área da saúde e educação sofrem cortes e a reforma da previdência avança a passos largos. Este cenário de crise evidencia ainda mais como os interesses dos trabalhadores são distintos daqueles dos patrões, ou seja, torna mais evidente a luta de classes no cotidiano. Os interesses dos capitalistas e dos trabalhadores são inconciliáveis e na disputa sobre quem sairá perdendo os trabalhadores tem levado duros golpes, mas não sem resistência. As consequências da crise econômica acirram os ânimos e os trabalhadores e a sua juventude tomam as ruas, ocupam fábricas e escolas, fazem greves e buscam recuperar, na marra, aquilo que lhes pertence. Para conter as revoltas, governos usam e abusam da repressão e no Brasil isto foi nítido nos protestos de junho de 2013 e na aprovação da Lei anti-terrorismo. A militarização das favelas, das escolas e a repressão nos locais de trabalho são as marcas de um governo que não hesita em governar para os ricos.

Embora hajam diferenças entre aqueles que estão fazendo o impeachment e o governo do PT, há também muita continuidade, visto que ambos defendem projetos da burguesia. É importante lembrar que até pouco tempo atrás vários que estão agora chamando o impeachment estavam na base do governo Dilma, e que o PT vai sair com o PMDB e outros partidos supostamente adversários em várias eleições de prefeituras. A verdade é que o PT cavou seu próprio túmulo com seu projeto de consciliação de classes. Aliou-se a Temer, Cunha e Katia Abreu, fez política para a burguesia e agora tenta se colocar como adversário dos setores reacionários.

O PT está, portanto, ultrapassado. Ultrapassado para os trabalhadores que já não o enxergam como governando para eles e ultrapassado para uma burguesia que agora pode colocar um governo sem mediações. A figura de Michel Temer na presidência busca recuperar uma estabilidade que o governo Dilma já não conseguia impor. E mesmo frente ao processo de impeachment, as direções do PT nem mesmo buscam mobilizar a população. Em frangalhos, o partido da estrela vermelha já não consegue mobilizar amplas massas para as ruas em sua defesa, pois seu governo é indefensável. A saída encontrada foi a caracterização do impeachment como um golpe, para que assim possam dar o tom das eleições de 2018. Na prática, o mesmo plano de governo seria aplicado. No discurso, poderiam ressurgir como alternativa, caracterizando os retrocessos sofridos como sendo frutos do governo do PMDB.

Não são poucos os trabalhadores que perderam as ilusões no PT e em qualquer projeto político de conciliação de classes, mas também não são poucos os trabalhadores que não reconhecem o governo Temer e que sabem que duros ataques ainda estão por vir. A vontade de lutar não falta. A vontade de defender nossas vidas, nossos empregos e salários está latente, pois é necessária. Frente a isso é preciso ficarmos atentos. Milhares de pessoas não sairão às ruas para defender o governo petista, tampouco enxergam melhora nas mãos de Temer. A ânsia pela autodefesa precisa encontrar vazão e organização em um programa de lutas à esquerda e revolucionário, antes que sucumba a projetos políticos de extrema direita, o que é especialmente perigoso em momentos de crise.

Os ataques que estamos recebendo e que se intensificarão estão vindo de forma difusa. Não se expressam apenas no arrocho salarial localizado, onde cada categoria de trabalhadores precisava, e muitas vezes conseguia, dar respostas com uma mobilização local. Os ataques à nossa classe estão vindo, por exemplo, por meio de reformas trabalhistas, o que nos exige uma mobilização ampla, agregando inclusive os setores que não conseguem se sindicalizar.

Há um desafio imenso a nossa frente e a esquerda combativa precisa conseguir se desvencilhar completamente do projeto político de conciliação de classes, romper com os resquícios burocráticos e se colocar com força na militância de base, articulando-se em todas as frentes que forem possíveis para unir esforços em ações unitárias. A construção de uma greve geral é importante, mas para conseguir chegar até ela e para que não se encerre em si mesma, há muito o que fazer.

A defesa real de nossas condições de vida e trabalho é urgente. A saída para esta crise não está em um novo gestor do Estado Capitalista, mas no retorno da perspectiva revolucionária. A crença no projeto de conciliação de classes já custou muito caro para a vida da classe trabalhadora e precisa ser retirada do horizonte. A saída não está nas eleições da democracia burguesa e nem em nenhum novo partido que esteja rascunhando a mesma trajetória do PT. A saída está na independência de classe, na defesa intransigente de nossas condições de vida e trabalho, em nossas mobilizações pela base e na certeza da necessidade da revolução socialista. Temer não terá sossego, assim como nenhum outro governo teve! Nossa luta segue avançando!

Não mais patrões e não mais ilusões!
Não aos ataques dos governos!

FORA TEMER!

* Análise de conjuntura frente a mudança no governo federal

 I. Governo Temer é continuidade do governo Dilma

Em tão poucos dias à frente do governo federal Temer já mostrou a que veio: continuar a política anti-trabalho perpetuados por sua antecessora. Longe de significar uma ruptura, o processo de impeachment de Dilma, que levou o pmdebista ao poder, é marcado profundamente pela continuidade – em especial no âmbito dos ataques à classe trabalhadora e seus direitos.

Temer pretende seguir a risca os passos de Dilma, mantendo a política de cortes na Saúde, na Educação e em programas sociais (FIES, Minha Casa Minha Vida, entre outros), privatização das estatais que sobraram, arrocho salarial e congelamento de contratações de servidores além de retrocessos em direitos trabalhistas historicamente conquistados, com destaque ao ataque à previdência – uma das principais metas do antigo governo Dilma, a qual Temer já assumiu como sua. Tão somente em um único dia – no último de seu decadente governo – Dilma aprovou: o fim da Bolsa Permanência nas universidades públicas para alunos de baixa renda, um aumento de 237,5% na prestação do Minha Casa Minha Vida para a faixa que engloba as pessoas mais pobres no programa, oficialização da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que irá acarretar em extermínio de ecossistemas e população indígenas e a Lei Geral das Olimpíadas. Já o governo Temer, logo nos primeiros dias de seu governo, anunciou, através de seus ministros, que pretende continuar a política de precarização do SUS, das Universidades Federais, entre outros ataques.

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Os projetos capitalistas diante à crise econômica e política

* Continuação de nossa análise de conjuntura

* I. O véu da crise política *

As movimentações políticas tornaram-se nessas últimas semanas o assunto mais comentado pelas mídias de massa e também nas conversas da maioria da população, afinal em momentos de crise surge a necessidade de apontar uma saída para ela. Em toda essa efervescência política aparecem diversas posições mas predominantemente há uma opinião em comum: a de que vivemos um momento muito complexo.

É justamente essa uma das funções da política no capitalismo; a de levar as determinações da realidade para uma esfera que se aparta da vida material devido a sua complexidade. O campo da politica se pinta como difícil pois seu papel é tomar para si a aparência de algo que ele não é. Porém se notarmos onde e como a realidade é verdadeiramente determinada podemos com facilidade compreender os processos políticos e notar que na maior parte das vezes não passa de um circo para desviar a atenção das massas do que realmente importa.

Outra função importante da política, mais especificamente dos políticos, é a de gerenciar o Estado capitalista para garantir melhores condições para a acumulação e reprodução de capital, afinal os políticos e partidos da ordem estão claramente alinhados com os grandes capitalistas. Exemplos recentes disso são amplamente encontrados na política brasileira. O PPE, efetivamente é a redução de salário o que implica numa maior extração de valor do trabalho desempenhado pelo operário. A tentativa da PL 4330, a terceirização das atividades-fim tem o mesmo objetivo – a de redução de salário – mas, além disso, é um ataque direto a organização sindical por categorias, o que reduz a capacidade de resistência dos trabalhadores. A lei antiterror, pois é essencial que em momentos de crise a classe trabalhadora não avance seu projeto político e se a conciliação não consegue mais frear as lutas, cabe a repressão tanto física quanto jurídica garantir isso. Além destes, poderíamos elencar diversos outros ataques já aprovados nas duas casas congressuais e assinados por Dilma, assim como, muitos que ainda estão em debate.

Tendo em mente essas duas funções que são desempenhadas pelo Estado – a de se assumir como o que ele não é e a de garantir os lucros do grande capital – podemos ver qual o campo que verdadeiramente determina a realidade política, e portanto qual o real caráter da crise que vivemos e o caminho que devemos tomar enquanto revolucionários para avançar nossas pautas. O campo principal da realidade, no limite determinante, é o da produção. A política capitalista se pauta por ela. Os burgueses também. E não há motivo para nós trabalhadores não nos pautarmos igualmente por ela. Pois além de ser por excelência o campo mais importante é lá que, enquanto classe, temos a nossa verdadeira força.

Ao encarar a realidade desse modo e reconhecer a crise política como um reflexo da crise econômica internacional, que agora se transpôs para a periferia do capitalismo a fim de garantir a recuperação dos países centrais, podemos notar dois projetos da classe dominante para a superação desta crise.PT-PMDB 3jpg

* II. O projeto petista de conciliação *

“O novo modelo não poderá ser produto de decisões unilaterais do governo, tal como ocorre hoje, nem será implementado por decreto, de modo voluntarista. Será fruto de uma ampla negociação nacional, que deve conduzir a uma autêntica aliança pelo país, a um novo contrato social, capaz de assegurar o crescimento com estabilidade.” Continuar lendo

Contra os ataques dos capitalistas e seus governos!

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* apontamentos sobre a conjuntura e estratégia

Nas últimas semanas a disputa ao redor da cadeira executiva do governo federal tomou novas proporções. Impulsionada por uma sucessão frenética de acontecimentos, ganhou capas de jornais, virou manchetes de noticiários e centro de debates não somente entre militantes, mas da população em geral. As pessoas passaram a se sentir impelidas a se informar, discutir e fazer algo sobre os últimos eventos. Mas diante dessa ânsia, dois equívocos principais têm sido recorrentes – tanto das pessoas que se interessaram por política recentemente, quanto dos militantes e partidos de esquerda – dificultando um posicionamento mais preciso e efetivo da classe trabalhadora. Não à toa esta não tem conseguido responder de maneira independente não só a essa questão pontual, mas a muitos outros ataques que lhe tem sido desferidos.

A vontade de resistir e agir são evidentes: o número de greves aumenta a cada ano e paralisações nacionais contra os ataques foram realizadas dentro das suas possibilidades, ao passo que nos últimos tempos fábricas são ocupadas. No entanto, também é nítida a ausência de uma resposta de conjunto dos trabalhadores enquanto classe. Ao seguir focados na disputa em jogo pela presidência, grande parte das pessoas e mesmo da oposição à esquerda ao petismo, não tem conseguido sair do campo da falsa polarização criada pelos dois lados da mesma moeda: o petismo e a oposição capitalista de direita. Com isso, perdem-se cada vez mais no turbilhão de acontecimentos e caem assim no primeiro equívoco frente à atual conjuntura: tomar o lado de um dos setores que disputam a gestão do Estado capitalista em detrimento do fortalecimento da organização independente da classe trabalhadora.

| Petismo e a oposição de direita são opções? |

A cada dia cresce o número de partidos de esquerda que, perdidos entre o petismo e a oposição de direita, acabam por escolher entre uma das “opções”, ao mesmo tempo em que se esforçam para dar roupagem “revolucionária” às bandeiras evidentemente capitalistas hasteadas de ambos os lados.

Os que optaram por orbitar ao redor do petismo apresentam dois argumentos para embasar a sua posição: primeiro afirmam que há em curso um golpe contra a democracia do empresariado; segundo ressaltam que a luta é contra esse golpe e que a aliança (ou apoio velado) com o petismo é pontual, feita inclusive com duras críticas à sua política tanto à frente do governo, como nos movimentos sindicais, estudantis e populares. Já os que pregam por uma aliança pontual com o outro lado da burguesia – a oposição de direita à Dilma – dizem que assim o Estado burguês será desestabilizado, ao mesmo tempo em que será barrada a possibilidade do ascenso de um governo populista/protofascista/bonapartista centrado em Lula. Continuar lendo

Levantar a bandeira revolucionária derrotar a reação!

* panfleto distribuído no Encontro de Anarquistas de 19.03.2016

O aprofundamento da crise capitalista internacional, tem impactado de maneira cada vez mais drástica na situação nacional. Por um lado, grandes empresários avançam com arrocho salarial, demissão e terceirização; por outro, governos de unidade com todos os partidos da ordem – PT PSDB PMDB e outros – realizam cortes na Saúde, na Educação, Transportes e outros serviços essenciais, privatizam as poucas empresas estatais que ainda restam, restringem direitos, mas também, aprovam leis e iniciativas de endurecimento do regime – com evidente destaque à Lei Antiterror, formulada e já sancionada pelo governo federal petista. Lutar para defender as condições de vida de nossa classe trabalhadora é lutar contra todos estes ataques e seus autores; é lutar tanto contra os grandes capitalistas imperialistas, nacionais e internacionais, quanto contra todos os governos, parlamentares e partidos da ordem.

Outro fator também precisa ser observado: durante décadas, enorme parcela das massas trabalhadoras tiverem o projeto petista como referência. Este, com seu discurso de esquerda e suas promessas de reformas sociais, conquistou a simpatia de nossa classe. Entretanto, com sua chegada ao poder, acabou por aplicar políticas nocivas aos trabalhadores, exatamente como seus antecessores. Esta enorme distância entre um discurso progressista e uma prática política submissa aos interesses imperialistas – que sequer poderia ser diferente, pois o estado é tão somente o aparato político dos grandes capitalistas – gerou, após 13 anos na presidência, enorme desgaste e descrédito de nossa classe frente ao projeto petista.

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A degeneração do PT e toda a crise política abriu espaço para o crescimento de setores de extrema-direita. As tradicionais insígnias da esquerda passaram a ser identificadas com a traição do Partido dito dos Trabalhadores e assim discursos irracionais tem sido perpetuados contra símbolos como a cor vermelha, entre outros. O legítimo sentimento popular de repulsa ao petismo tem sido manobrado para tornar-se uma ataque generalizado à toda esquerda.

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Da “pax social” petista à crise política institucional

I. PT x PSDB: querelas entre partidos da ordem

Com o espetáculo da “condução coercitiva” de Lula pela PF para depor na Lava-jato e o pedido de prisão preventiva, tanto petistas quanto opositores de direita – independentes, pequenos e médio empresários, ou organizados institucionalmente principalmente ao redor do PSDB – tentam reavivar a, até então já fria, falsa polarização entre os dois partidos. Entretanto, após os 13 anos de governo federal petista não resta espaço algum para dúvidas: a política aplicada pelo governo petista é a mesma da direita, é contrária aos interesses de nossa classe e é fundamentalmente igual a defendida e aplicada por governos do PSDB e do PMDB – ainda mais ao darmos destaque para o fato de que frente aos primeiros sintomas de aprofundamento da crise econômica mundial em terras brasileiras, Dilma e seu partido não hesitaram em promover ataques generalizados as condições de vida dos trabalhadores, conjuntamente com os demais partidos da ordem. Cortes e restrição de direitos, privatizações, concessões, terceirização, repressão, chacinas e genocídios formam o cerne comum de ambos os partidos e seus governos. O que, na verdade, chega a ser óbvio, dado que a autonomia total da política na gestão do Estado é sempre uma ilusão: quem determina de fato as medidas a serem implementadas são os grandes capitalistas, imperialistas nacionais e internacionais; detentores dos meios de produção. A função da presidenta, dos governadores e parlamentares é tão somente a de gerenciar de maneira mais eficiente possível o aparato político para os grandes empresários, banqueiros e latifundiários: não passam de funcionários a serviço do capital.

Se as querelas entre petistas e tucanos não envolvem de fato diferenças e divergências políticas, o que explica sua persistência?

Num primeiro momento, é possível olhar para esta tensão como uma briga entre setores da burocracia governamental capitalista por mais espaço nesta; uma briga por mais cargos e acesso à verbas estatais. Se certamente não está em questão a manutenção das linhas gerais da política aplicada pelo estado brasileiro – independente do partido na presidência, o programa aplicado será o da “Agenda Brasil” – as farpas entre petistas e tucanos se revela como uma mesquinha disputa entre facções da política institucional, questão por completo irrelevante para os trabalhadores ou qualquer outro que não componha a burocracia estatal.

Entretanto, não é possível se limitar a esta dimensão das tensões políticas. Evidentemente que para uma rusga política tomar tamanho vulto, há relação com a base estrutural da sociedade – com a divisão social entre capitalistas e trabalhadores. Para compreender esta relação, se faz necessário revisitar – ainda que brevemente – o desenvolvimento recente da luta de classes no Brasil.

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II. Da “pax social petista” à crise política institucional

Após o total abandono de qualquer pretensão de transformação social e contestação da ordem imperialista – que tem como marco simbólico a “Carta ao povo brasileiro” lançada ao público por Lula em 22 de junho de 2002 – setores significativos do empresariado nacional e internacional optaram pelo PT na disputa presidencial. A combinação entre o respeito amplamente presente na classe trabalhadora à figura carismática de Lula, com o controle de parte significativa dos aparatos sindicais, estudantis e da luta dos sem-terra, colocava Lula e o PT como uma opção mais capaz de aplicar as políticas requisitadas pelo capital nacional e internacional evitando ao máximo conflitos classistas. Somando a liderança mítica de Lula com o aparelhamento das entidades organizativas de nossa classe, o capitalismo brasileiro conseguiu garantir muitos anos de estabilidade e governabilidade.

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A crise do PT e a luta dos trabalhadores

Nos últimos dias vimos uma enxurrada de notícias, posicionamentos, defesas e contrariedades diante da ação da PF na fase mais recente da Lava-jato, que teve como foco a investigação de Lula. Ele e seu partido, o PT, têm nessa situação um ponto nevrálgico de sua estratégia mais ampla para o próximo período: a desvinculação da imagem do partido e de Lula do atual governo Dilma, com os olhos na corrida eleitoreira de 2018. E enquanto o quadro de crise econômica se agrava, a crise política se aprofunda em seus desdobramentos, o que pode colocar o PT como empecilho, inclusive para as medidas de austeridade e repressão que tenta impor aos trabalhadores. E é aí que reside sua maior contradição.

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Durante sua história, um aspecto da política petista marcou a essência mais nociva desse partido para a luta geral dos trabalhadores: o aparelhamento de grande parte da estrutura sindical e dos movimentos sociais a fim de usá-los como simples meios de negociação – um dos pressupostos da cartilha do sindicalismo pelego que impulsionam. A crise de hoje cobra-os do contrário, mostra a perversidade e a ineficácia das tentativas de orquestrar as demandas da classe trabalhadora com a gerência e o funcionamento do Estado, e portanto com os interesses dos empresários. Hoje, o esgotamento desse projeto se mostra na prática, na corrosão das condições de vida dos trabalhadores pela inflação, nas demissões e flexibilização de seus direitos historicamente conseguidos pelas suas lutas; e mais fortemente ainda, quando os trabalhadores se colocam hoje contra suas medidas nas assembleias e nas suas mobilizações.

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Que o circo da democracia pegue fogo!

Nossa posição sobre as farpas entre Dilma e Cunha

Depois de muita farsa, hesitação e encenação, Eduardo Cunha decidiu por aceitar um dos pedidos de impeachment contra a presidenta Dilma – dando, assim, inicio a um longo e incerto processo burocrático de muitas e muitas etapas. Em grande medida trata-se de uma retaliação à decisão, tomada poucas horas antes pela bancada petista, de retirar seu apoio ao presidente da Câmara dos Deputados no processo movimentado contra este em trâmite na Comissão de Ética. Cabe lembrar que ambos – Dilma e Cunha – têm aplicado diversos ataques às condições de vida de nossa classe. Dos cortes de direitos e flexibilização de leis trabalhistas à lei anti-“terrorismo”, passando pelo arrocho salarial dos servidores estatais, privatização e cortes milionários à saúde e educação. Colocar-se a favor de qualquer deles é sim colocar-se a favor desta onda de ataques à nossa classe.

Com o aprofundamento da crise econômica capitalista e o diretamente relacionado acirramento da luta de classes, da luta entre trabalho e capital, o Estado-nação Brasil inevitavelmente mostra, cada vez com mais transparência, seu lado na luta de classes – o lado dos grandes empresários, latifundiários e banqueiros. O cenário de crise política se agrava entre os de acima, mas para nós da classe trabalhadora o que segue na ordem do dia é a continuidade dos ataques às nossas condições de vida e trabalho. Neste sentido qualquer iniciativa de saída para a crise política que deposite esperanças nas mudanças via Estado deve ser compreendida com um retrocesso no processo de lutas que se abre à nossa frente e que precisa avançar para consolidar sua força e suas ferramentas revolucionárias. Dado que a autonomia da política capitalista não passa de uma mentira explorada indiscriminadamente pelos partidos da ordem, é evidente que independentemente de qual partido estiver a frente do Estado, independentemente de quem estiver alojado nos palácios, câmaras e senado, os ataques à nossa classe não cessarão – assim como a repressão e o genocídio necessário para que estes sejam aprovados. Não esqueçamos que todo e qualquer Estado possui seu caráter de classe e nunca é a da nossa, a dos trabalhadores.

Portanto, diante desse espetáculo da baixa política dos gestores do Estado capitalista, a única posição coerente que nós trabalhadores podemos tomar é de nos mantermos intransigentemente contrários tanto a Dilma como a Cunha – contra todo e qualquer político e partido institucional da ordem. Uma possível queda da presidenta federal, assim como uma possível queda do presidente da Câmara, indubitavelmente seria mais um ataque à já em declínio legitimidade e confiança dos trabalhadores no governo, no parlamento, assim como no regime democrático burguês como um todo. Quanto menos nós trabalhadores nos iludirmos com o circo da democracia capitalista melhor. Deixemos nossos inimigos de classe se esfaquearem entre si livremente, enquanto daqui, dos nossos lugares de trabalho e estudo, seguiremos levantando barricadas e cavando trincheiras, organizando nosso próprio poder.

Que o circo da democracia capitalista pegue fogo!
Que caia a presidenta federal e o presidente da câmara!
Que caiam todos e se erga o poder dos trabalhadores!

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1° Roda de Conversa Grupo de Estudos Anarquistas

Conjuntura, crise e possibilidades anarquistas

com:
Hugo Scabello de Mello (Aliança Anarquista)
João Gabriel da Fonseca (mestrando UFG)
Rafael Saddi (Professor de História UFG)

04.12 às 19h
sala 252 Faculdade de Educação UFG
Goiânia GO

Evento: https://www.facebook.com/events/469210956613544/

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