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A crise do PT e a luta dos trabalhadores

Nos últimos dias vimos uma enxurrada de notícias, posicionamentos, defesas e contrariedades diante da ação da PF na fase mais recente da Lava-jato, que teve como foco a investigação de Lula. Ele e seu partido, o PT, têm nessa situação um ponto nevrálgico de sua estratégia mais ampla para o próximo período: a desvinculação da imagem do partido e de Lula do atual governo Dilma, com os olhos na corrida eleitoreira de 2018. E enquanto o quadro de crise econômica se agrava, a crise política se aprofunda em seus desdobramentos, o que pode colocar o PT como empecilho, inclusive para as medidas de austeridade e repressão que tenta impor aos trabalhadores. E é aí que reside sua maior contradição.

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Durante sua história, um aspecto da política petista marcou a essência mais nociva desse partido para a luta geral dos trabalhadores: o aparelhamento de grande parte da estrutura sindical e dos movimentos sociais a fim de usá-los como simples meios de negociação – um dos pressupostos da cartilha do sindicalismo pelego que impulsionam. A crise de hoje cobra-os do contrário, mostra a perversidade e a ineficácia das tentativas de orquestrar as demandas da classe trabalhadora com a gerência e o funcionamento do Estado, e portanto com os interesses dos empresários. Hoje, o esgotamento desse projeto se mostra na prática, na corrosão das condições de vida dos trabalhadores pela inflação, nas demissões e flexibilização de seus direitos historicamente conseguidos pelas suas lutas; e mais fortemente ainda, quando os trabalhadores se colocam hoje contra suas medidas nas assembleias e nas suas mobilizações.

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Basta de ataques aos trabalhadores! Derrubar o governo do PT!

*Posicionamento da Aliança Anarquista sobre a conjuntura de crise política

“Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto e eu estou no volume morto”, são palavras não de algum adversário político do governo, mas sim de Lula, companheiro de partido da presidenta e principal liderança da legenda. Dilma, por sua vez, afim de tentar salvar o mínimo de aprovação que ainda possui, abandonou à própria sorte José Dirceu, fundamental articulador político petista, colocando a prisão deste como uma questão de partido, não de governo. O irreversível definhar do projeto do Partido dos Trabalhadores – após doze anos gerenciando a máquina governamental capitalista – coloca-se como fato tanto na aversão de 84% da população do grande ABC, berço do partido e importante pólo industrial, quanto na fala de Tarso Genro, militante petista histórico e ex-governador do Rio Grande do Sul: “Esse PT que está aí chegou nitidamente ao fim de um ciclo”.

Entretanto, mesmo nesse cenário de evidente fragilidade do governo federal e seu partido, o PSDB, agrupamento que se coloca como principal oposição, tem seguido uma política hesitante. Hesitam em levar a frente o processo de impeachment de Dilma, hesitam em acompanhar o coro do “Fora Dilma” e as manifestações pela sua queda – sendo estas dirigidas e articulados por setores recém organizados da velha direita. Esta política vacilante, em cima do muro, por parte dos tucanos deve ser compreendida primeiramente pelos receios dos grandes empresários, latifundiários e banqueiros em apoiar a retirada de um governo que tem tido êxito em garantir as elevadas taxas de lucro, em detrimento dos padrões de vida dos trabalhadores, mesmo no contexto de progressivo acirramento da crise econômica. Mas, há um segundo fator, de ordem política, que não pode ser desconsiderado: a oposição parlamentar e institucional tem consciência que a crise do projeto petista expressa, também, uma crise mais profunda e generalizada na política democrática capitalista. Afinal, os mesmos casos de corrupção e as mesmas políticas antipopulares, envolvem o conjunto dos partidos da ordem.

Tanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso demonstra ter conhecimento desta perda de legitimidade das instituições democráticas do capitalismo brasileiro, ao escrever que “ tornou-se óbvio que há um acúmulo de crises: de crescimento, de desemprego, de funcionamento institucional, moral, condução política “, quanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin ao falar que “o impeachment é um trauma para o país”, completando, “precisamos zelar pela democracia”. Como membros de partidos comprometidos com a ordem democrática e o regime capitalista, eles sabem que a manutenção da legitimidade do aparato governamental frente ao conjunto dos trabalhadores é prioritária às disputas partidárias por cargos. Para aqueles que detém a propriedade do modo de produção capitalista, o mais importante é manter a estabilidade política e a governabilidade, afim dos gestores do Estado poderem garantir com mais facilidade a normalidade das relações de produção – impedindo, abafando, reprimindo legal e ilegalmente greves, atos de rua e outras manifestações políticas de trabalhadores – e a agenda política de medidas e ataques – as privatizações diversas, as medidas provisórias e projetos de leis que pioram as condições de trabalho (MP 664 e 665, PL 4330, PPE), o corte de verbas nos serviços públicos e o arrocho salarial de trabalhadores ligados a serviços ou empresas estatais. Posição expressa, por exemplo, na recente nota assinada pela FIESP e FIRJAN (Federação das Indústrias de São Paulo e Rio de Janeiro) “O momento é de responsabilidade, diálogo e ação para preservar a estabilidade institucional do Brasil”.

Compreendido o caráter de classe do Estado brasileiro, e constatando que passamos por um período de acirramento de um processo de crise econômica, o papel do governo vem sendo, e será, o de jogar as consequências da piora na economia nos trabalhadores, afim de garantir a manutenção das taxas de lucros. Neste contexto, o melhor para os trabalhadores é fragilizar ao máximo os governos e suas instituições, afim de dificultar a implementação das políticas de ataques as condições de trabalho. Quanto mais fragilizado estiver o governo, o congresso e o senado, mais dificuldades este terá em implementar leis como a PL 4330 da terceirização ou as bloco de medidas contra nossa classe contidas na Agenda Brasil – proposta por Renan Calheiros, e abraçada por Dilma Roussef. A instabilidade e a paralisia nas instituições políticas capitalistas, neste momento, podem favorecer a luta independente dos trabalhadores.

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| Organizar a revolta, defender a classe e desestabilizar a democracia capitalista! |

Nesta conjuntura de definhamento do projeto petista, insatisfação generalizada com o governo federal e profunda desconfiança frente as instituições democráticas do capitalismo e seus gestores, é bastante perigoso travar políticas vacilantes – como grande parte da esquerda tem feito. A revolta contra o governo petista e suas medidas é legitima. O PT, à frente do governo federal, tem sido responsável por grande parte das políticas que atacam as condições de vida dos trabalhadores brasileiros. Neste momento de polarização da sociedade brasileira, levar a cabo uma política hesitante e não disputar a direção da insatisfação popular é deixar o campo livre para o fortalecimento da extrema-direita. É tarefa de todos de nossa classe se unirem e lutarem intransigentemente contra estes ataques, e contra este governo. A nossa tarefa é derrubar tanto as demissões, arrochos salariais, quanto as políticas governamentais de ataque aos trabalhadores, assim como os gestores responsáveis por estas. Continuar lendo