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A crise do PT e a luta dos trabalhadores

Nos últimos dias vimos uma enxurrada de notícias, posicionamentos, defesas e contrariedades diante da ação da PF na fase mais recente da Lava-jato, que teve como foco a investigação de Lula. Ele e seu partido, o PT, têm nessa situação um ponto nevrálgico de sua estratégia mais ampla para o próximo período: a desvinculação da imagem do partido e de Lula do atual governo Dilma, com os olhos na corrida eleitoreira de 2018. E enquanto o quadro de crise econômica se agrava, a crise política se aprofunda em seus desdobramentos, o que pode colocar o PT como empecilho, inclusive para as medidas de austeridade e repressão que tenta impor aos trabalhadores. E é aí que reside sua maior contradição.

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Durante sua história, um aspecto da política petista marcou a essência mais nociva desse partido para a luta geral dos trabalhadores: o aparelhamento de grande parte da estrutura sindical e dos movimentos sociais a fim de usá-los como simples meios de negociação – um dos pressupostos da cartilha do sindicalismo pelego que impulsionam. A crise de hoje cobra-os do contrário, mostra a perversidade e a ineficácia das tentativas de orquestrar as demandas da classe trabalhadora com a gerência e o funcionamento do Estado, e portanto com os interesses dos empresários. Hoje, o esgotamento desse projeto se mostra na prática, na corrosão das condições de vida dos trabalhadores pela inflação, nas demissões e flexibilização de seus direitos historicamente conseguidos pelas suas lutas; e mais fortemente ainda, quando os trabalhadores se colocam hoje contra suas medidas nas assembleias e nas suas mobilizações.

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PT e PSDB avançam nas privatizações

No primeiro semestre, Kassab – ministro das cidades de Dilma-, veio a público anunciar a privatização do metrô de Porto Alegre e Belo Horizonte. Pouco tempo depois, como que numa ação coordenada, Alckmin, governador de São Paulo, anunciaria a privatização de mais uma linha do Metrô, a 5-lilás. Mesmo diante da comprovada ineficiência na gestão privada da linha 4-amarela – a qual, devido a sucessivos atrasos nas obras de expansão, levaram o próprio governador a romper o contrato com o Consórcio gestor, um ano após repassar 20 milhões de reais a estes empresários – a venda e concessão de empresas e ativos estatais avança a passos largos. Mesmo diante dos escandalosos porém milionários casos de corrupção da Lava Jato e do Trensalão, ambos situados nas relações entre grandes empresas privadas e estatais, governos das diferentes esferas sequer hesitam em intensificar e estreitar relações com exatamente estas mesmas empresas.

Enquanto o governo federal petista implementa medidas privatistas direcionadas ao metrô de Porto Alegre e Belo Horizonte, à diferentes rodovias e aeroportos e aos ativos da Petrobras, o governo estadual tucano avança na privatização do Metrô e da Sabesp. Executando com tamanha excelência o plano liberal para a austeridade, a ponto de receber calorosos elogios da diretora-gerente do FMI Cristine Lagarde, os gestores do estado brasileiro seguem atendendo os interesses e exigências do grande capital nacional e internacional. Seguem cortando direitos, salários e empregos, garantindo assim a manutenção das exorbitantes taxas de lucro dos empresários e banqueiros, à custa do padrão de vida dos trabalhadores. Somente no primeiro semestre, a massa salarial do trabalhador brasileiro encolheu cerca de 10%, tivemos cortes de mais de 10 bilhões na educação e na saúde do orçamento do governo federal, mas simultaneamente se deu o anuncio de novos recordes nos lucros em diversos bancos – como o Bradesco, que faturou 4,24 bilhões de reais em três meses. As políticas privatistas devem ser compreendidas, então, como mais uma iniciativa no conjunto de ataques à nossa classe, orquestrados por governos de todos as esferas associados aos grandes empresários que os financiam.

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| Privatizar é precarizar |

À primeira vista, privatizar é transferir para a iniciativa privada a gestão e/ou a posse de bens sob o controle do Estado. Contudo, é um equívoco pensar a privatização somente nesta dimensão. Mesmo compreendendo o Estado como um aparato político da classe dominante, com interesses convergentes aos dos grandes proprietários, empresários e banqueiros – ou seja, da própria iniciativa privada – é evidente o quanto um processo de privatização é prejudicial à classe trabalhadora. Pois todo processo de privatização envolve também demissão, redução salarial e perda de direitos, além de ser acompanhado de encarecimento das tarifas dos serviços, o que diminui o padrão de vida da classe trabalhadora ao elevar o custo de vida geral. Continuar lendo