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Construir a alternativa da classe trabalhadora!

*Nossa posição frente a atual conjuntura política*

|“Onda conservadora” ou polarização política?|

O PT, seus militantes e simpatizantes compreendem, de maneira equivocada, que vivemos hoje no Brasil uma avanço conservador. Frente a esta análise, este partido, de maneira oportunista, cria uma luta defensiva do governo contra um “avanço da direita”. Deixemos clara nossa avaliação: o que ocorre no Brasil não é solitariamente um avanço conservador, mas um acirramento da luta de classes e uma consequente e incipiente polarização. Polarização que se expressa tanto no fortalecimento e na reorganização de setores conservadores e de direita, particularmente da extrema-direita – que agora convoca manifestações, colocando-se publicamente, quanto, simultaneamente, se evidencia uma mobilização cada vez maior e mais radicalizada da classe trabalhadora, acompanhada de uma tendência à ruptura com as tradicionais direções conciliatórias e patronais, em muitos casos ligadas ao governo.

A crise da CUT – marcada tanto por rompimentos como o do CPERS quanto pelo fortalecimento de oposições em categorias essenciais da CUT – e a divisão na Força Sindical frente, por exemplo, o projeto de lei da terceirização e a vexaminoza defesa de Eduardo Cunha, evidenciam esta tendência. Esta conjuntura de acirramento e polarização também impõem e resulta na reorganização de projetos políticos de esquerda com horizontes revolucionários ou ainda de projetos reacionários. Anarquismo, comunismo, fascismo, socialismo, golpe, revolução, são palavras que voltam a aparecer no cotidiano.

|Romper com o governismo e avançar na luta|

Compreendida esta polarização e dado um momento de ruptura completa com o PT – como colocamos no texto de conjuntura anterior; abre-se a questão: como a esquerda deve proceder? Defender um governo cujo descrédito é constantemente reafirmado através de seus ataques? Um governo, que é rejeitado massivamente pela ampla maioria da população e que terá – independente de seu regente – a “Agenda Brasil” como programa político? Devemos ceder à política de conciliação de classes que sustenta o sistema capitalista de exploração? Não.

Invertemos ainda a lógica governista: irresponsável é manter-se ao lado de um governo que promove os mais diversos ataques à nossa classe, e que legitimamente agora é alvo de sua revolta. É irresponsável defender um partido com um projeto falido, que deixou explícita sua traição e perdeu qualquer legitimidade e confiança. Esta irresponsabilidade abre caminhos à possibilidade deste processo ser dirigido pela direita e abre espaço para que o discurso da insatisfação seja domínio da extrema-direita. Sair à defesa do PT é pular no barco que está afundando. E que deve afundar.

Este é o momento para o fortalecimento da esquerda revolucionária. Tal fortalecimento está absolutamente correlacionado à ruptura com o PT. É da crise dessa direção, em um momento no qual a classe rompe com um projeto abraçado ao longo dos últimos trinta anos, que vem o surgimento de um vácuo que buscaremos preencher com nosso programa revolucionário. Para cada sindicato, DCE ou centro acadêmico que romper com sua direção governista, será fundamental que haja a presença de esquerda coerente e revolucionária para assumir essa direção.

É irresponsável também a postura que o governismo assume na luta contra a direita (com a qual o PT já completamente se integrou) e contra a extrema-direita. É necessário que a esquerda se diferencie em todos os aspectos do PT e do petismo. Que se desvencilhe da conciliação, do pacto com a burguesia e o capital e que não permita que a direção da insatisfação popular caia nas mãos da extrema-direita. No próximo período, se a polarização se provar como algo crescente, teremos que disputar a organização dos trabalhadores com essa mesma extrema-direita.

Portanto, se buscamos lutar pelos interesses de nossa classe, romper com o PT neste momento não é “irresponsável”, mas indispensável. Se pretendemos nos defender, devemos nos colocar do lado certo do acirramento da luta de classes. Não ao lado do setor que aplica tais políticas e compactua com esta direita, mas na trincheira dos trabalhadores. Assim poderemos barrar os avanços da burguesia e do Estado, através da organização dos trabalhadores e impulsionando a luta, a partir de cada local de trabalho e estudo. Historicamente é a classe organizada quem promove suas próprias conquistas. Devemos ter confiança na classe e no seu poder, não em um punhado de burocratas e estatistas.

| “Fora Dilma”, “Fica Dilma” e o acordão por governabilidade e democracia |

Sobre o ato do dia 16 pelo “Fora Dilma” dois aspectos merecem destaque.

construir alternativa

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