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Unidade de ação para barrar os ataques do governo Temer!

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   Após o impeachment, os atos “Fora Temer” podem superar a defesa pela volta do PT à presidência, mas para que isso aconteça é necessário impulsionar nos atos a luta contra os ataques do governo Temer. Para desestabilizar esse governo a fim de dificultar e até impedir que execute os seus ataques, como a reforma trabalhista e da previdência, é estratégico desde agora intervir nesses atos e disputá-los. Intervir não no sentido de defender a volta de um governo petista, mas de intensificar a luta por nossas condições de trabalho, estudo, moradia, dentre outras condições de vida e iniciar a queda do atual governo com a força da classe trabalhadora. Para fazer isso, é necessário que a esquerda tenha unidade de ação, organize grandes mobilizações e caminhe rumo a uma forte greve geral que pare o Brasil. A Aliança Anarquista é contra a proposta de eleições diretas ou gerais como solução para a crise política, contra a defesa ao retorno do PT que as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e demais petistas estão fazendo, e discorda de algumas avaliações sobre a repressão policial. Apesar destas divergências e de nos opormos ao petismo, entendemos que é necessária a unidade de ação para impor derrotas ao atual governo. Assim sendo, convocamos a esquerda combativa para intervir desde já nos atos “Fora Temer”.

   O impeachment NÃO foi um golpe. Foi um processo ocorrido dentro das regras (legais ou não) do jogo da democracia burguesa. Por isso, não foi um ataque à essa democracia, mas uma demonstração explícita de como ela funciona. Sendo o julgamento justo ou não, tratou-se apenas de uma decisão política: a burguesia se uniu para, por meio dos seus representantes, retirar um governo e colocar outro com mais capacidade para promover seus interesses enquanto classe. Além disso, ter colocado na presidência alguém que não foi eleito por eleições diretas também não é um golpe: Temer era vice-presidente e a regra do jogo é que ele assuma, visto que Dilma foi obrigada a sair. A intervenção da esquerda combativa nos atos também é necessária para desmistificar o discurso de golpe, propagandeado com a finalidade de auxiliar uma possível volta de Lula em 2018 (ou antes, caso sejam antecipadas as eleições diretas).

   “Diretas já” ou eleições gerais não resolverão a crise política. Ambas situações teriam como resultado Lula ou um candidato da velha direita na presidência. No caso das eleições gerais, reivindicada por parte da esquerda, os eleitos pertenceriam em sua maioria aos partidos da ordem, como o PMDB, PT e PSDB. Portanto, somos contra reivindicar novas eleições. Em vez disto, propomos que a esquerda impulsione, se aproveitando dos atos que estão ocorrendo, um movimento de massas comandado pela classe trabalhadora, a fim de derrubar o governo atual. Somente por meio deste movimento poderemos ter, além da queda, um salto de qualidade em nossos métodos de organização e mobilização, possivelmente nos preparando para lutar contra o próximo governo.

   Os gestores do Estado Capitalista querem impor uma situação de estabilidade para poder governar, e para isso utilizam-se da repressão jurídica, como a lei anti-terrorismo, e militar. As manifestações que vem acontecendo nos últimos dias estão trazendo novamente à tona discussões muito importantes para a esquerda sobre o papel da polícia e a repressão contra manifestantes. Sobre isso é importante ressaltar que as ações violentas da polícia não servem para comprovar um estado de exceção, mas para lembrar que a tarefa central desta instituição é justamente usar de todos os recursos possíveis, como a violência física, para manter a exploração e a opressão. Portanto, não podemos ser inocentes e acreditar que a violência policial está condicionada a qualquer comportamento dos manifestantes. Assim, repudiamos qualquer apoio à polícia e demais forças repressivas, tal como a tentativa de delatar e expulsar manifestantes taxados de Black Bloc. Devemos resistir a repressão de maneira coesa e organizada, o que novamente só pode ser feito com unidade.

   Pela unidade de ação, a esquerda deve intervir desde já nos atos “Fora Temer” com o objetivo de impulsionar a defesa aos ataques que serão desferidos contra a classe trabalhadora. Precisamos barrar a reforma trabalhista e da previdência, os cortes na saúde e na educação, combater o desemprego, a privatização e a terceirização, entre outras degradações às nossas condições de vida. Para que isso seja possível, devemos começar imediatamente a organização de um movimento de massas comandado pela classe trabalhadora e rumo à greve geral.

Greve geral para barrar os ataques!
Fora Temer!

FORA TEMER!

* Análise de conjuntura frente a mudança no governo federal

 I. Governo Temer é continuidade do governo Dilma

Em tão poucos dias à frente do governo federal Temer já mostrou a que veio: continuar a política anti-trabalho perpetuados por sua antecessora. Longe de significar uma ruptura, o processo de impeachment de Dilma, que levou o pmdebista ao poder, é marcado profundamente pela continuidade – em especial no âmbito dos ataques à classe trabalhadora e seus direitos.

Temer pretende seguir a risca os passos de Dilma, mantendo a política de cortes na Saúde, na Educação e em programas sociais (FIES, Minha Casa Minha Vida, entre outros), privatização das estatais que sobraram, arrocho salarial e congelamento de contratações de servidores além de retrocessos em direitos trabalhistas historicamente conquistados, com destaque ao ataque à previdência – uma das principais metas do antigo governo Dilma, a qual Temer já assumiu como sua. Tão somente em um único dia – no último de seu decadente governo – Dilma aprovou: o fim da Bolsa Permanência nas universidades públicas para alunos de baixa renda, um aumento de 237,5% na prestação do Minha Casa Minha Vida para a faixa que engloba as pessoas mais pobres no programa, oficialização da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que irá acarretar em extermínio de ecossistemas e população indígenas e a Lei Geral das Olimpíadas. Já o governo Temer, logo nos primeiros dias de seu governo, anunciou, através de seus ministros, que pretende continuar a política de precarização do SUS, das Universidades Federais, entre outros ataques.

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O que eles querem?

* Texto de conjuntura publicado originalmente no nosso material de 1 ano

A crise política que começou pequena no início de 2015 se desenvolveu, se aprofundou e agora parece entrar em seus últimos capítulos. Com a votação do impeachment da presidenta Dilma na câmara dos deputados o governo se sustenta por menos do que um fio de cabelo. Sem o apoio do parlamento e dos patrões, os petista veem o seu governo ruir ao seu redor e por isso se voltam a nós, trabalhadores, como último recurso.

As denúncias dos dois lados são das mais diversas. Os petistas alardeiam um golpe. A oposição parlamentar se diz numa cruzada contra a corrupção. Diante dos discursos bonitos e da enxurrada de notícias que inundam os canais de comunicação, é fácil se perder e achar que só se pode estar de um dos dois lados. A nós, trabalhadores, é dito que ou se está contra o “golpe”, ou se está “contra” a corrupção. Mas isso não é verdade.

Afinal, fala-se em golpe, mas a realidade é que o governo petista contribuiu para levar o país para o buraco e que ninguém hoje está feliz! Esse governo foi eleito dizendo que o futuro seria de desemprego e inflação alta se Dilma não ganhasse. E hoje vemos que o quadro é de desemprego e inflação descontrolada! Falou que os trabalhadores seriam atacados se a oposição fosse eleita. E atacou os trabalhadores assim que foi eleita.

Por outro lado, fala-se em lutar contra a corrupção, mas como isso é possível quando o impeachment é encabeçado por pessoas como Eduardo Cunha, Aécio Neves e tantos outros? Os que dizem querer combater a corrupção são corruptos também. E não só. Basta assistir a declaração dos votos a favor do impeachment para ver quem são os justiceiros: latifundiários, industriais, banqueiros, machistas, racistas, homofóbicos e alguns inclusive, a favor da ditadura militar. Ou seja, todos inimigos dos trabalhadores.

A verdade é que ambos os lados querem mesmo é mostrar que são os melhores para nos atacar. Que é o grupo com maior capacidade de proteger o lucro do patrão e sacrificar os trabalhadores. A eles não interessa a nossa situação. Não interessa que acordamos e dormimos com o medo do desemprego. Não interessa que contamos os centavos para cobrir as nossas necessidades. Interessa o contrário, interessa provar que conseguem passar o ajuste fiscal o mais bruto possível, ao mesmo tempo em que reprime os trabalhadores da maneira mais eficaz. Não à toa ambos os lados defendem o ajuste fiscal e medidas de austeridade para sacrificar os trabalhadores.

Diante disso, escolher entre um desses lados é impossível. E é impossível porque nenhum deles de fato quer defender os trabalhadores. Mas continuar a despejar a crise econômica – que não será solucionada pelo impeachment ou não de Dilma – sobre nós.

Devemos traçar um plano de lutas que ultrapasse a polarização colocada atualmente e recoloque o enfrentamento de classes no centro da discussão. Devemos ir além do impedimento ou não do governo petista, armando a resistência no cerne da questão hoje: a crise econômica. Porque enquanto PT, PMDB e PSDB se digladiam por fatias maior no Estado, o que nos resta são os ataques que não param de chegar.

Lei antiterrorismo, retomada da discussão de ampliação da terceirização, reforma da previdência e ataque ao salário mínimo, são alguns dos ataques que ou passaram ou pretendem ser passados no próximo período, como complemento às demissões e arrochos salariais.

Optar por se centrar na questão do impeachment enquanto medidas como essas são passadas, não é somente um erro, mas também uma irresponsabilidade. É se perder em meio às notícias e buscar atalhos que nada farão, a não ser fortalecer quem nos ataca. Hoje, a prioridade deve ser erguer a resistência contra esses ataques, tirando da frente dos trabalhadores a distração da disputa pela presidência, e recolocando o foco naquilo que nos importa: a defesa das nossas condições de vida!

NEM COM O PETISMO, NEM COM A OPOSIÇÃO PARLAMENTAR!
CONTRA O ATAQUE DOS GOVERNOS E DOS PATRÕES!

O que eles querem

1° de maio

1° de maio na Paulista!

1 ano de Aliança Anarquista

1 DE MAIO

Contra os ataques dos capitalistas e seus governos!

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* apontamentos sobre a conjuntura e estratégia

Nas últimas semanas a disputa ao redor da cadeira executiva do governo federal tomou novas proporções. Impulsionada por uma sucessão frenética de acontecimentos, ganhou capas de jornais, virou manchetes de noticiários e centro de debates não somente entre militantes, mas da população em geral. As pessoas passaram a se sentir impelidas a se informar, discutir e fazer algo sobre os últimos eventos. Mas diante dessa ânsia, dois equívocos principais têm sido recorrentes – tanto das pessoas que se interessaram por política recentemente, quanto dos militantes e partidos de esquerda – dificultando um posicionamento mais preciso e efetivo da classe trabalhadora. Não à toa esta não tem conseguido responder de maneira independente não só a essa questão pontual, mas a muitos outros ataques que lhe tem sido desferidos.

A vontade de resistir e agir são evidentes: o número de greves aumenta a cada ano e paralisações nacionais contra os ataques foram realizadas dentro das suas possibilidades, ao passo que nos últimos tempos fábricas são ocupadas. No entanto, também é nítida a ausência de uma resposta de conjunto dos trabalhadores enquanto classe. Ao seguir focados na disputa em jogo pela presidência, grande parte das pessoas e mesmo da oposição à esquerda ao petismo, não tem conseguido sair do campo da falsa polarização criada pelos dois lados da mesma moeda: o petismo e a oposição capitalista de direita. Com isso, perdem-se cada vez mais no turbilhão de acontecimentos e caem assim no primeiro equívoco frente à atual conjuntura: tomar o lado de um dos setores que disputam a gestão do Estado capitalista em detrimento do fortalecimento da organização independente da classe trabalhadora.

| Petismo e a oposição de direita são opções? |

A cada dia cresce o número de partidos de esquerda que, perdidos entre o petismo e a oposição de direita, acabam por escolher entre uma das “opções”, ao mesmo tempo em que se esforçam para dar roupagem “revolucionária” às bandeiras evidentemente capitalistas hasteadas de ambos os lados.

Os que optaram por orbitar ao redor do petismo apresentam dois argumentos para embasar a sua posição: primeiro afirmam que há em curso um golpe contra a democracia do empresariado; segundo ressaltam que a luta é contra esse golpe e que a aliança (ou apoio velado) com o petismo é pontual, feita inclusive com duras críticas à sua política tanto à frente do governo, como nos movimentos sindicais, estudantis e populares. Já os que pregam por uma aliança pontual com o outro lado da burguesia – a oposição de direita à Dilma – dizem que assim o Estado burguês será desestabilizado, ao mesmo tempo em que será barrada a possibilidade do ascenso de um governo populista/protofascista/bonapartista centrado em Lula. Continuar lendo