Atualidade do anarquismo na luta sindical

Trabalhadores,

Ainda que o anarquismo tenha se originado no seio da luta de classes, na organização e no combate dos trabalhadores contra capitalistas e governos por melhores condições de vida, é gritante a distância entre a maior parte dos grupos que se dizem anarquistas e a luta sindical contemporânea. Situação que se revela, na atual conjuntura, como danosa. Pois, com o aprofundamento da crise econômica e política da sociedade capitalista e o acirramento da luta entre trabalho e capital, a inexistência de inserção de um projeto coerente, classista e combativo nas organizações da classe trabalhadora tem nos levado para o acumúlo de derrotas que tivemos no último período. Somente rompendo com as práticas pelegas oriundas do velho “novo sindicalismo” expresso principalmente na CUT e similares – defesa da conciliação entre trabalhadores e patrões, fragmentação corporativista da classe, aparelhamento das entidades para fins político-eleitoreiros – e avançando no sentido de retomarmos as práticas radicalizadas do sindicalismo revolucionário – combatividade, classismo, independência intransigente frente à todos os governos e patrões – reverteremos este desfavorável quadro.

Convidamos a todos para uma conversa aberta sobre a luta sindical contemporânea e a necessidade de reorganizarmos o projeto sindicalista revolucionário. Esperamos que este espaço seja um passo adiante no sentido de consolidarmos uma corrente sindicalista classista e combativa – iniciativa que entendemos como imprescindível e urgente.

ROMPER E AVANÇAR!

atividade sindical2

Unificar as lutas, defender a nossa classe!

*Análise de conjuntura e perspectivas

Nos últimos meses, a classe trabalhadora tem sido alvo de muitos ataques por parte da patronal e dos mais diversos governos – arrocho salarial, demissões, corte e flexibilização de direitos. Mesmo que importantes lutas tenham sido travadas, é necessário reconhecer que nossa classe tem sido, em geral, derrotada. Situação expressa tanto nos muitos acordos trabalhistas que sequer conquistaram reajustes salariais acima da inflação, quanto nos milhares de trabalhadores demitidos, assim como na execução de políticas que cortam e flexibilizam direitos historicamente conquistados. Mesmo com fortes greves em diversos setores estatais – universidades, escolas, INSS, judiciário, entre outros – estas categorias acabaram por aceitar acordos trabalhistas rebaixados. Mesmo com as importantes lutas nas fábricas, dezenas de milhares de operários foram demitidos enquanto outros dezenas de milhares tiveram seus salários reduzidos. Mesmo com as paralisações e mobilizações nacionais e unificadas, não fomos capazes de barrar as MPs 664 e 665.

Não há duvidas de que os ataques as condições de vida dos trabalhadores se intensificarão. Acenado o acordo dos diversos partidos da ordem para por fim às disputas internas entre PT, PMDB e PSDB – personificadas especialmente na peleia de Dilma e Cunha – o que se coloca como pauta do dia no Congresso, Senado e Palácio é a aprovação de leis como a da terceirização (PL4330 / PC30) e a de antiterrorismo, mas também, o avanço nos cortes orçamentários e nas privatizações. Estabilizada a partilha de cargos políticos e consensualizado o programa comum (a Agenda Brasil), é possível, mesmo provável, que muitas destas medidas de austeridade e repressão sejam encaminhadas já neste fim de ano ou no começo do ano que está por vir. Temos a frente um horizonte difícil e turbulento para a classe trabalhadora, onde o rebaixamento do padrão de vida nos será imposto ainda que seja necessário o uso intenso de forças e medidas repressivas para tal.

Diante deste quadro, o único caminho que possivelmente poderá levar a nossa classe a vitórias, que poderá evitar a piora nas nossas condições de vida e trabalho, é o caminho da unificação, massificação e radicalização das lutas em defesa da manutenção de nosso atual padrão de vida. Somente rompendo com o corporativismo – que fragmenta nossa classe em categorias – com o peleguismo governista – que nos impõe acordos rebaixados afim de evitar o conflito direto e acirrado com nossos inimigos da patronal e dos governos – e com o sectarismo e burocratismo – que por interesses secundários nos impede de marcharmos ombro a ombro – que poderemos triunfar, avançar na organização de nossa classe e na consolidação do poder dos trabalhadores. Urge superarmos as direções governistas e conciliatórias. Urge unificarmos as lutas, as datas bases, as greves, as manifestações. Urge retomarmos métodos de luta radicalizados. Urge fortalecermos o classismo, a combatividade e a independência de nossas organizações e entidades. Lutas isoladas e restritas facilmente serão derrotadas – seja pelo cansaço ou seja pela repressão.

Outra necessidade que se impõe neste momento da luta de classes é a de avançar na aliança entre os jovens estudantes e à classe trabalhadora em geral. A importância desta aliança, além de por muitas vezes já ter sido verificada historicamente, se mostrou em importantes lutas recentes – como por exemplo na greve de professores do Paraná, e nas de Universidades federais e estaduais, e também, na ainda em curso, luta contra o fechamento de escolas de São Paulo. O sangue jovem e sua energia são importantes fatores para massificação e radicalização da luta de classes.

____
Aliança Anarquista,
28.10.2015

12049481_522324994616031_1524586158727870602_n

Unificar as lutas para vencer a batalha!

*panfleto para o ato de hoje e a plenária de amanhã

O ato nacional do dia 18 e o Encontro de trabalhadoras e trabalhadores do dia 19 de setembro são dois importantes passos para a luta de toda nossa classe. Até agora tivemos algumas vitórias com as greves ao longo do ano, mas os ataques tem sido tantos e tão generalizados que devemos reconhecer que estas vitórias foram apenas parciais. É preciso unificarmos as lutas e radicalizarmos nossos métodos rumo à construção de novas paralisações para barrarmos de fato os ataques que o governo do PT tem feito aos trabalhadores! Não podemos mais perder tempo: quem ocupa a cadeira de gestor do Estado jamais defenderá os interesses da classe trabalhadora! Devemos organizar nossas defesas desde as bases e de forma unificada impor uma derrota àqueles que nos exploram! Por isso nós da Aliança Anarquista estamos compondo estes espaços e saudamos todos os lutadores e lutadoras que estão nesta construção!

| Construir um movimento combativo e independente! |

É tarefa fundamental conseguirmos romper com a fragmentação de nossa classe, superando as greves por categorias e por fábricas para erguer um movimento que abarque largos setores de trabalhadores e consiga derrotar os ataques que se armam contra nós! Uma unidade necessária para que – de norte a sul – seja possível a construção de ações diretas a nível nacional, como as paralisações e a greve geral, tão importantes para o nosso fortalecimento!

Também é essencial que a organização do conjunto da classe trabalhadora seja combativa, independente e não se torne um polo eleitoreiro. Para isso é preciso barrar tanto os ataques vindos dos governos – como a Agenda Brasil e as Medidas Provisórias do governo petista – quanto os ataques gerais por parte dos capitalistas como o arrocho e as demissões. Não podemos fomentar ilusões na troca de gestores, pois não é a mudança do nome de quem ocupa as cadeiras do Estado que fará com que ele defenda os interesses de nossa classe. Construir um campo classista, combativo e antigovernista e que não tarde em tomar uma posição firme pela derrubada de todos aqueles que ousam atacar as condições de vida dos trabalhadores, pois qualquer hesitação neste sentido só beneficia os próprios governos e os capitalistas.

Se a classe trabalhadora tudo produz, a ela tudo pertence! Avante companheiros!

Organizar a revolta, defender a classe e desestabilizar a democracia dos capitalistas!
Construir em unidade a luta contra as investidas do Estado e da patronal!

panfleto 18 09 final

Construir a alternativa da classe trabalhadora!

*Nossa posição frente a atual conjuntura política*

|“Onda conservadora” ou polarização política?|

O PT, seus militantes e simpatizantes compreendem, de maneira equivocada, que vivemos hoje no Brasil uma avanço conservador. Frente a esta análise, este partido, de maneira oportunista, cria uma luta defensiva do governo contra um “avanço da direita”. Deixemos clara nossa avaliação: o que ocorre no Brasil não é solitariamente um avanço conservador, mas um acirramento da luta de classes e uma consequente e incipiente polarização. Polarização que se expressa tanto no fortalecimento e na reorganização de setores conservadores e de direita, particularmente da extrema-direita – que agora convoca manifestações, colocando-se publicamente, quanto, simultaneamente, se evidencia uma mobilização cada vez maior e mais radicalizada da classe trabalhadora, acompanhada de uma tendência à ruptura com as tradicionais direções conciliatórias e patronais, em muitos casos ligadas ao governo.

A crise da CUT – marcada tanto por rompimentos como o do CPERS quanto pelo fortalecimento de oposições em categorias essenciais da CUT – e a divisão na Força Sindical frente, por exemplo, o projeto de lei da terceirização e a vexaminoza defesa de Eduardo Cunha, evidenciam esta tendência. Esta conjuntura de acirramento e polarização também impõem e resulta na reorganização de projetos políticos de esquerda com horizontes revolucionários ou ainda de projetos reacionários. Anarquismo, comunismo, fascismo, socialismo, golpe, revolução, são palavras que voltam a aparecer no cotidiano.

|Romper com o governismo e avançar na luta|

Compreendida esta polarização e dado um momento de ruptura completa com o PT – como colocamos no texto de conjuntura anterior; abre-se a questão: como a esquerda deve proceder? Defender um governo cujo descrédito é constantemente reafirmado através de seus ataques? Um governo, que é rejeitado massivamente pela ampla maioria da população e que terá – independente de seu regente – a “Agenda Brasil” como programa político? Devemos ceder à política de conciliação de classes que sustenta o sistema capitalista de exploração? Não.

Invertemos ainda a lógica governista: irresponsável é manter-se ao lado de um governo que promove os mais diversos ataques à nossa classe, e que legitimamente agora é alvo de sua revolta. É irresponsável defender um partido com um projeto falido, que deixou explícita sua traição e perdeu qualquer legitimidade e confiança. Esta irresponsabilidade abre caminhos à possibilidade deste processo ser dirigido pela direita e abre espaço para que o discurso da insatisfação seja domínio da extrema-direita. Sair à defesa do PT é pular no barco que está afundando. E que deve afundar.

Este é o momento para o fortalecimento da esquerda revolucionária. Tal fortalecimento está absolutamente correlacionado à ruptura com o PT. É da crise dessa direção, em um momento no qual a classe rompe com um projeto abraçado ao longo dos últimos trinta anos, que vem o surgimento de um vácuo que buscaremos preencher com nosso programa revolucionário. Para cada sindicato, DCE ou centro acadêmico que romper com sua direção governista, será fundamental que haja a presença de esquerda coerente e revolucionária para assumir essa direção.

É irresponsável também a postura que o governismo assume na luta contra a direita (com a qual o PT já completamente se integrou) e contra a extrema-direita. É necessário que a esquerda se diferencie em todos os aspectos do PT e do petismo. Que se desvencilhe da conciliação, do pacto com a burguesia e o capital e que não permita que a direção da insatisfação popular caia nas mãos da extrema-direita. No próximo período, se a polarização se provar como algo crescente, teremos que disputar a organização dos trabalhadores com essa mesma extrema-direita.

Portanto, se buscamos lutar pelos interesses de nossa classe, romper com o PT neste momento não é “irresponsável”, mas indispensável. Se pretendemos nos defender, devemos nos colocar do lado certo do acirramento da luta de classes. Não ao lado do setor que aplica tais políticas e compactua com esta direita, mas na trincheira dos trabalhadores. Assim poderemos barrar os avanços da burguesia e do Estado, através da organização dos trabalhadores e impulsionando a luta, a partir de cada local de trabalho e estudo. Historicamente é a classe organizada quem promove suas próprias conquistas. Devemos ter confiança na classe e no seu poder, não em um punhado de burocratas e estatistas.

| “Fora Dilma”, “Fica Dilma” e o acordão por governabilidade e democracia |

Sobre o ato do dia 16 pelo “Fora Dilma” dois aspectos merecem destaque.

construir alternativa

Continuar lendo “Construir a alternativa da classe trabalhadora!”